Investimento em clubes de massa dão alento aos esportes olímpicos
Agência Estado
Do Rio de Janeiro
De Edmundo e Raí a Gustavo Borges e Marcelo Negrão. Torcedores de grandes clubes brasileiros como Corinthians, São Paulo, Vasco da Gama e Flamengo começam a acostumar-se com uma nova realidade: passar a frequentar ginásios e parques aquáticos. Este ano, alguns clubes decidiram investir novamente em esportes olímpicos, como natação e vôlei, e já começam a ter retorno.
Na opinião de atletas, técnicos e dirigentes, o exemplo do Vasco, cujos atletas trouxeram 34 medalhas do Pan-Americano de Winnipeg - 10 de ouro, 11 de prata e 13 de bronze -, é a prova de que o investimento é a chave para a evolução do esporte amador brasileiro.
Depois de investir pesado no futebol, a diretoria do Corinthians passou a concentrar sua atenção na recuperação da equipe de natação. Após dominar o esporte em São Paulo entre as décadas de 40 e 60 e conquistar por três vezes o Troféu Brasil, a falta de dinheiro quase extinguiu a natação corintiana. Por isso, o maior objetivo da atual vice-diretora de Esportes Aquáticos, Maria Aparecida Filippini, é atrair patrocínios para os nadadores do clube.
Estamos em busca de recursos principalmente para ampliar a equipe de natação, diz Maria Aparecida, que é a primeira mulher a dirigir o Departamento de Esportes Aquáticos do clube. Hoje, o Corinthians conta com aproximadamente 180 nadadores nas várias categorias, dos quais 12 são atletas de ponta. Segundo a dirigente, para manter uma equipe competitiva e uma infra-estrutura adequada, seria necessária uma verba mensal de R$ 40 mil. É preciso recuperar a natação de São Paulo, que perdeu muito espaço para o Rio, diz ela.
A redescoberta do esporte amador pelos clubes ganhou apoio total do presidente da Confederação Brasileira de Desportes Aquáticos (CBDA), Coaracy Nunes. A essência do esporte brasileiro são os clubes, como nos Estados Unidos são as universidades, afirma Nunes.
Para Gustavo Borges, as boas condições de treinamento que está encontrando hoje no Vasco, que oferece médicos, nutricionistas e psicólogos, são raras até mesmo nos Estados Unidos, onde treinava até recentemente. O Vasco proporcionou aos atletas duas coisas fundamentais: investimento e estrutura, elogia o nadador.
O São Paulo decidiu apostar no vôlei e formou uma forte equipe - encabeçada pelos atacantes Marcelo Negrão e Pezão e pelo levantador Ricardinho - para disputar o Campeonato Paulista, que começa no sábado. Para isso, o clube e o patrocinador da equipe, a Bayer/Canesten, desembolsaram cerca de R$ 1 milhão. Para o ex-jogador Pampa, atual diretor-técnico do esporte amador do São Paulo, os clubes nunca deveriam deixar o esporte amador de lado.
Marcelo Negrão elogiou a iniciativa do São Paulo em criar uma equipe de vôlei. Os clubes costumam atrair os torcedores, explica o jogador. As pessoas não gostam de torcer por um nome de patrocinador.
O dirigente Eurico Miranda quer transformar o Vasco numa superpotência olímpica e, para tanto, o clube deve montar equipes de canoagem e de vôlei feminino, contratando jogadoras consagradas como Leila, ex-Leite/Nestlé, e Virna, ex-Uniban, ambas campeãs em Winnipeg. Miranda também pretende reforçar o iatismo do Vasco e levar para São Januário a triatleta Carla Moreno, medalha de bronze em Winnipeg. Ela se juntaria a Armando Barcelos - que obteve o quarto lugar no Pan, mas garantiu índice para a Olimpíada de Sydney - e Marcos Ornellas.
O clube investiu cerca de R$ 10 milhões nos últimos dois anos para reforçar os esportes amadores. Montou seleções no basquete, vôlei de praia, atletismo e natação. Luiz Lima, medalha de ouro nos 400 metros livre, é um dos mais entusiasmados com a ida para o clube. Embora não seja torcedor do Vasco, Lima costuma até acompanhar os jogos de futebol do clube, em São Januário.





