São Paulo - A Caloi vai investir pesado, R$ 25 milhões em quatro anos, em busca de um sonho: o de desenvolver atletas competitivos no ciclismo brasileiro para a Olimpíada de 2016, no Rio, e nas edições dos Jogos Olímpicos subsequentes, criando no Brasil um ou mais ídolos capazes de dar impulso ao esporte, bastante popular na Europa.
O presidente da fabricante de bicicletas, Eduardo Musa, apresentou ontem seu projeto para as modalidades estrada e, especialmente, mountain bike. Esta última terá equipe administrada diretamente pela empresa, com técnico estrangeiro e planos de participar do calendário internacional da União Ciclística Internacional (UCI).
"Dizem que toda pessoa tem de gerar um filho, plantar uma árvore e escrever um livro. Eu acrescentaria um item: ajudar o País a conquistar uma medalha olímpica", disse o executivo da empresa. Ele não esconde que o objetivo da iniciativa é criar um ídolo para o esporte a exemplo do que foi Gustavo Kuerten para o tênis "Espero que mude o ciclismo e o cenário do nosso esporte de base", revelou Musa.
Ele lembrou que, depois dos títulos de Guga em Roland Garros, muitos jovens, até de origem humilde, passaram praticar o tênis como um esporte no qual é possível um brasileiro ser competitivo. É lógico que, como empresário, ele não esconde a pretensão de se beneficiar com um efeito colateral positivo da criação de ídolos: o aquecimento do mercado interno de fabricação de bicicletas.
As maiores apostas de Musa estão na equipe de mountain bike formada por dois atletas que deverão estar no auge da forma em 2016: Henrique Avancini e Sherman Trezza, ambos de 23 anos, além do jovem talento Nicolas Sessler, de 18 anos, atual sétimo do mundo no ranking juvenil da UCI. Ainda está em negociação a contratação de um treinador ligado à equipe olímpica britânica.
"Aqui no Brasil, o ciclismo é desenvolvido, mas não como em outros países, especialmente os da Europa de forma que se eu ficar competindo só em nível nacional talvez não consiga desenvolver todo o meu potencial", explicou Sessler, ao ressaltar a importância do apoio que vai receber. Ele sabe que o benefício virá acompanhado de uma grande responsabilidade de corresponder às expectativas, mas prefere não falar em pressão e, sim, em aproveitar uma chance rara no ciclismo brasileiro.
No ciclismo de estrada, o projeto é um pouco mais modesto, mas ainda assim de fôlego. A Caloi vai apoiar a equipe de Pindamonhangaba, no interior de São Paulo, que ganhou reforços importantes do time de Sorocaba, destaque da temporada deste ano, mas que fechou as portas. A internacionalização também está nos planos, mas para um projeto de mais longo prazo.
"Já temos autorização da UCI para competir no nível continental e o próximo passo é conseguir no ano que vem o selo continental, que é o estágio que vem antes do Pro Tour, que é quando a equipe é autorizada a participar das principais competições internacionais", revelou o técnico da equipe, Benedito Tadeu de Azevedo Júnior, conhecido como Kid.

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