São Paulo - Os três principais envolvidos nas fraudes da arbitragem do futebol brasileiro o empresário Nagib Fayad e os árbitros Edílson Pereira de Carvalho e Paulo José Danelon podem ser convocados a qualquer momento para novos esclarecimentos na Polícia Federal. As investigações conduzidas pelos promotores Roberto Porto e José Reinaldo Guimarães Carneiro, ambos do Gaeco, e pelo delegado Protógenes Queiroz seguem agora numa terceira fase, a da perícia técnica de tudo o que foi apreendido na Operação Atenas da PF.
''Ainda não tivemos a oportunidade de analisar todo o material apreendido. É hora de os delegados e os promotores de justiça tomarem contato com isso'', informou o promotor José Reinaldo Carneiro. Ele e Roberto Porto trabalham em período integral desde a divulgação do esquema.
A operação já conseguiu dois de seus objetivos: desmantelar a quadrilha que fraudava jogos do Brasileiro e ganhava dinheiro com isso; e a confissão em depoimento dos árbitros Edílson e Danelon. Ambos admitiram participar do esquema: recebiam R$ 10 mil por partida arranjada.
''Não podemos perder de mira o nosso foco, que é o da fraude no apito. Em seu devido tempo, investigaremos e chamaremos todos os envolvidos no esquema'', disse José Reinaldo Carneiro. O promotor comentou não haver possibilidade de Edílson, Danelon e Nagib Fayad coagirem outros possíveis envolvidos agora que estão soltos. ''Providências para evitar isso já foram tomadas.''
A Operação Atenas também vai ouvir o árbitro Romildo Corrêa e o ex-árbitro João Paulo Araújo o primeiro foi citado pelos acusados, mas não aceitou participar do esquema; e o segundo, por ter revelado tentativa de cooptação há quatro meses.
Wanderlei Pololi e Daniel (seu sobrenome não foi revelado), citados no depoimento de Danelon como agentes da quadrilha, também serão chamados à Polícia Federal.
Danelon também será ouvido no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD). Não apita mais no futebol profissional. Depois de se reunir com os promotores e com o delegado da PF, o presidente do STJD, Luiz Zveiter, também garantiu a idoneidade das federações, inclusive da CBF, e de dirigentes de clubes no esquema fraudulento das partidas.
Agressão Bastaram alguns minutos de liberdade para que o árbitro Edilson Pereira de Carvalho tivesse uma pequena noção de como o torcedor brasileiro recebeu as denúncias de manipulação de resultados. Assim que deixou a carceragem da Polícia Federal em São Paulo, no início da madrugada de ontem, depois de cinco dias detido, o árbitro foi agredido por um torcedor corintiano diante das câmeras de tevê, num espetáculo deprimente. O empresário Nagib Fayad também foi libertado.

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