São Paulo - O futebol brasileiro começa a ter um novo sotaque: o castelhano. Considerados bons investimentos pelo custo-benefício, já que são baratos e dão boas respostas no campo, os jogadores sul-americanos estão invadindo o Brasil. Apenas na janela deste meio de ano, 16 estrangeiros desembarcaram nos clubes da Série A e mais dois no Palmeiras, que disputa a Série B do Brasileiro.
São nada menos de 44 estrangeiros na primeira divisão do futebol brasileiro, muitos argentinos, uruguaios e paraguaios, mas tem até europeus, casos do holandês Seedorf e do espanhol Fran Mérida. Dos 20 times da Série A, apenas Atlético-MG, Criciúma e Goiás não contam com mão de obra de fora do País. Mas isso pode acabar em breve já que vasculham o futebol sul-americano atrás de reforços "bons e baratos" e não devem ter problemas já que a economia nacional está em alta no continente.
O futebol paulista é o que mais aposta nos vizinhos sul-americanos. Das 16 contratações, oito foram de clubes do Estado. E todas com investimento dentro do planejado. O Santos investiu R$ 7,7 milhões pelo lateral-esquerdo chileno Eugenio Mena, da Universidad de Chile, para acabar com a carência na posição. O jogador aguarda a parte burocrática para estrear. E não terá problema de adaptação da língua já que o clube ainda conta com os argentinos Montillo, na meia, Patito Rodriguez e Miralles, ambos no ataque (algum deles deve ser negociado já que apenas três estrangeiros podem jogar).
A direção santista ainda busca um treinador de fora do País. Investiu nos argentinos Marcelo Bielsa e Gerardo Martino e ainda aguarda por uma resposta positiva. Além disso, investe no atacante Scocco, do Newell’s Old Boys, nos planos também do Internacional.
O São Paulo também se reforçou para a lateral esquerda: trouxe o experiente argentino Clemente Rodríguez, do Boca Juniors (pagará apenas os salários). Enquanto isso, o Corinthians aposta todas as suas fichas no centroavante peruano Guerrero, um investimento de R$ 10 milhões.
Os jogadores do Peru, por sinal, andam em alta no País. A Ponte Preta já contava com o meia Luis Ramirez e agora foi buscar o lateral-direito Advíncula, no Hoffenheim, da Alemanha. Também acertou com o meia argentino Sarmiento, do All Boys. Na Lusa, o lateral-direito Bruno Romo, do Colo Colo, está em fase de testes e deve ser aprovado para formar o trio de estrangeiros com os argentinos Cañete na meia e Luceno no ataque.
Já se armando para ter um grupo forte na volta à elite, em 2014, o Palmeiras (que já tinha o meia chileno Valdivia) trouxe o volante uruguaio Eguren (veio de graça do Libertad) e o meia paraguaio Mendieta (pagou R$ 4 milhões ao Libertad).
Com salários em média bem mais baixos que as estrelas nacionais, os estrangeiros agora fazem um clamor para que a CBF mexa no regulamento e permita que mais do que três deles possam entrar em campo numa partida.
Isso para que muitos outros compatriotas venham ao Brasil. Scocco, Martínez, Contrera, Saviola, Lucho González, Fabian Coronel e Chamucero podem ser os próximos a aumentar o sotaque gringo no Brasileirão. Devem ir para o Sul ou o Rio, outros grandes centros em que "estão em casa".
Em Porto Alegre, o Inter conta com D’Alessandro, Dátolo, Diego Forlán e agora Bolatti, devolvido de empréstimo pelo Racing, e o Grêmio tem Riveros e Maxi Rodrigues (recém-chegados), Barcos e Vargas. No Rio, o Vasco investiu R$ 4 milhões para ter o armador argentino Montoya, do All Boys, ao lado do equatoriano Tenório. Já o Botafogo conta com o uruguaio Lodeiro e o holandês Seedorf, o Flamengo aposta em Marcelo Moreno, González e Cáceres e o Fluminense conta com Valencia – o argentino Monzón foi devolvido ao Lyon, da França.

Artilheiros
O retorno dos estrangeiros a seus clubes pode ser comprovado dando uma olhada nos artilheiros do Campeonato Brasileiro. O maior goleador após sete rodadas é o argentino Maxi Biancucchi, do Vitória, primo de Lionel Messi, com 6 gols. Logo atrás vem Diego Forlán, com 5 gols marcados.

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