Intérpretes vão decifrar o 'portunhol'
Lucilia Okamura
De Londrina
Cinco brasileiros, uma argentina e uma chilena. Esta é a equipe de tradutores que irá trabalhar durante o Torneio Pré-Olímpico, auxiliando jornalistas e membros das delegações estrangeiras, que começam a chegar em Londrina no próximo sábado, dia 15. Apesar de muitos acreditarem que espanhol é semelhante ao português, os intérpretes avisam: O espanhol é fácil, quase igual ao português, mas é esse quase que confunde muito, explica a chilena Mirtha Miriam Fernandez Diesel, 45 anos.
A equipe foi contratada pela Comissão Organizadora do torneio. Cada delegação (inclusive a brasileira) contará com um intérprete. Estaremos também no Estádio do Café (local dos jogos) e acompanhando as conferências (entrevistas coletivas), informa a coordenadora do grupo, a argentina Mariana Sensi, 27 anos.
Vamos estar à disposição das delegações e dos jornalistas todos os dias, da manhã até à noite, conta Mariana. Segundo a comissão organizadora, estarão cobrindo o torneio jornalistas estrangeiros de sete emissoras de TV e de 10 rádios, além de 21 jornais, revistas e agências.
Mariana Sensi já começou a trabalhar. Na última segunda-feira, ela foi ao treino da Seleção Brasileira para ajudar os jornalistas estrangeiros que já estão na cidade. Mas a minha função mesmo será a de acompanhar a seleção chilena, comenta. Quem ficou triste com a escalação para o trabalho no grupo foi a chilena Mirtha Diesel: Gostaria de acompanhar essa delegação, porque são meus conterrâneos, lamenta ela, que ficará dando apoio aos jornalistas.
Segundo Mariana Sensi, não haverá problemas dos intérpretes com as delegações de Chile, Colômbia, Equador e Venezuela (equipes que disputam o Grupo A, sediado em Londrina) porque o espanhol falado nesses países é praticamente igual. Existe algumas pequenas diferenças, mas de modismos ou entonação; é como o português falado no Norte e no Sul, compara.
Morando no Brasil há 18 anos, a professora de espanhol Mirtha Diesel é casada com um brasileiro e têm três filhos adolescentes. Em casa sou a única a torcer para o Chile; eu digo para os meus filhos que eles também têm sangue chileno, mas não adianta, comenta essa torcedora do Colo Colo. Sobre o Chile, ela afirma que é uma boa seleção. Lamentavelmente, eles perdem por não ter sorte, porque são bons, garante.
Da filha de 13 anos, Mirtha Diesel recebeu uma incumbência especial. Ela me deu uma agenda para eu pegar autógrafos dos jogadores brasileiros, conta. Sobre os atletas chilenos, ela revela, a filha nem perguntou.
Torcedora do Newels Old Boys na Argentina, Mariana Sensi diz que no Brasil o time do coração é o Flamengo. Ela mora em Londrina há dois anos, onde faz um curso de especialização em Treinamento Esportivo. Ela também é corredora, sendo que na última corrida de São Silvestre, em São Paulo, ficou em 197º lugar.
Ao contrário da colega chilena, Mariana Sensi diz que torcerá para a Seleção de Luxemburgo, mesmo numa suposta final entre Brasil e Argentina. Eu quero que o Brasil ganhe e não importam as opiniões contrárias, afirma, lançando um olhar para o pai, Juan Rodolfo Sensi, que está passando uns dias em Londrina.





