Internet distrai os atletas em Winnipeg
Janaina Tupan Frare
De Winnipeg, Canadá
Especial para a Folha
Shows, fogos de artifício e muita festa. A cidade de Winnipeg preparou um extenso calendário de eventos de entretenimento para quem veio assistir ou participar dos Jogos Pan-Americanos. Os visitantes e atletas puderam se divertir em espetáculos diurnos ou noturnos durante os 15 dias da competição, que termina hoje (leia texto ao lado).
O The Forks, complexo comercial e recreativo de Winnipeg, foi palco de apresentações de música clássica, country, pop/rock, jazz e até reggae. Também teve shows em homenagem aos países participantes. Cada noite, um homenageado. Músicas canadenses, caribenhas, da América Central e América do Sul fizeram a integração das várias culturas.
Às vezes damos uma fugidinha para assistir aos shows e ver gente diferente, disse uma atleta que preferiu não ser identificada. Mas o que a delegação brasileira fez mesmo foi se concentrar na vila olímpica. Segundo o ciclista Márcio May, atleta da Caloi, medalhista de bronze na prova contra-relógio, a própria vila dá condições suficientes para o atleta se distrair. Quando está muito calor, vamos dar um mergulho na piscina. Também jogamos pingue-pongue. Ah, se os caras do tênis de mesa ouvirem eu dizendo ping-pong...
Mas o grande passatempo dos atletas na vila é mesmo a Internet. Quando não estou treinando, estou conversando com a minha esposa pelo computador, diz o ciclista. Já a judoca Daniele Zangrando disse que passa a maior parte do tempo respondendo aos vários e-mails que recebe de pessoas que nem conhece. Sempre recebo mensagens de incentivo, de gente que diz estar torcendo por mim. Isso é legal, diz Daniele.
Além de acesso gratuito à Internet, os atletas também têm outros privilégios na vila. Cortes de cabelo, tinturaria, laboratório fotográfico, lojinhas com recordacões e objetos promocionais dos Jogos, centro de intercâmbio, bancos, quadras de esporte, sala de ginástica, de recreação, tv, vídeo, etc. A vila é uma cidade, o único problema é a burocracia, diz Márcio May, referindo-se às muitas vezes que teve que tirar moedas do bolso e da mochila para passar pelos raios-x, um sistema de segurança adotado pela coordenação dos Jogos. Passamos por ali mais de 10 vezes por dia e sempre é a mesma coisa.
Outro local bastante frequentado pelos atletas foram as arquibancadas dos ginásios e estádios de Winnipeg. Na final do vôlei feminino e masculino, grande parte da torcida brasileira era formada por atletas das mais diversas modalidades. Além da torcida, também existe um intercâmbio entre modalidades. Viemos no mesmo vôo do pessoal do squash e ficamos muito amigos, diz Rosana. Agora, além de torcermos um pelo outro, também estamos aprendendo a jogar squash. E Daniele completa: Temos mais é que torcer. O que queremos mesmo é ouvir o hino nacional e ver a nossa bandeira balançando no pódio.





