Foi um castigo que o Flamengo não mereceu sofrer e um presente que o Inter não teve o mérito de ganhar. Mas futebol também é injusto. Mais castigo ainda é levar gol de um zagueiro que foi revelado pelo clube, aos 46 minutos do segundo tempo. O 1 a 0 coroou a injustiça no Estádio Centenário, na fria Caxias do Sul.
Por mérito rubro-negro, o Internacional não fez um bom jogo ontem. Criou poucas chances e muitas vezes foi envolvido, o que não é fácil fazer quando o Colorado está em seus domínios. Foi, talvez, a melhor partida do Flamengo sob o comando de Mano Menezes. Bem organizado, o time mordeu do início ao fim e criou chances também. Mas há de reconhecer que as mais claras - não foram muitas - aconteceram para os donos da casa.
Forlán e D' Alessandro não conseguiram repetir o bom futebol de outras partidas. O atacante uruguaio ainda perdeu uma ótima oportunidade no primeiro tempo, mas só foi notado neste lance mesmo. Na verdade, o Inter melhorou após a entrada de Leandro Damião, no meio da etapa final. Pelo lado do Flamengo, não houve destaque individual, mas o conjunto foi bem. Faltou criar mais, é verdade, mas Bruninho partiu para cima, mesmo sem ser objetivo. Pena que se jogou demais, o que hoje é um defeito não só dele, mas do futebol brasileiro em geral. Já Carlos Eduardo, outra vez, pouco apareceu. Diego Silva foi um volante discreto, mas eficiente.
O castigo, porém, veio frio, como a vingança deve ser degustada. E pode-se dizer que o cozinheiro deste prato tinha seus motivos para temperá-lo, afinal, no ano passado, Juan viu a antiga diretoria deixá-lo acertar com outro clube. Em uma bola levantada na área, o goleiro Felipe saiu tão bem quanto um carro na contramão em via expressa. No meio da confusão estava a cabeça de Juan. A rede ganhou vida quando já estava letárgica e ninguém parecia disposto a despertá-la. Pois entre castigos, vinganças e injustiças - três coisas ruins da vida -, o futebol vive. E o Flamengo, desta vez, sofreu deste mal.

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