Interlagos se transforma no final de semana
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quarta-feira, 28 de março de 2001
Agência FolhaDe São Paulo 
Qualquer pessoa que for hoje a Interlagos terá sérias dúvidas sobre a realização de mais um GP Brasil de F-1. E isso não é exclusividade desta 30ª edição. É sempre assim.
Mas, como em todos os anos, na sexta-feira os carros deverão sair à pista, e Interlagos se transformará numa pequena sucursal do Primeiro Mundo, onde (quase) tudo funciona: o celular pega, a violência é zero, a cozinha é internacional e para tudo não há jeitinho.
Essa transformação, claro, tem um preço. Só a prefeitura desembolsou cerca de R$ 20 milhões. Outra vertente de dinheiro vem dos patrocinadores, que despejam recursos em espécie ou em equipamentos e serviços repare que tudo no GP é padronizado, que todos os veículos de serviço são de uma determinada montadora, que as opções de alimentação são de uma só empresa e que até latas de lixo têm logomarca.
O choque entre esses dois mundos, o de recursos fartos da F-1 contra a realidade do país, é colossal e transforma Interlagos em um verdadeiro teatro de operações.
Na verdade, o procedimento mais tranquilo de hoje no circuito é a verificação técnica dos carros. Nos boxes, cada equipe segue sua rotina de preparação, sem alarde.
O resto do circuito é uma confusão de gente, equipamentos e provisões. Funcionários dão os últimos retoques, modelos ensaiam o desfile de abertura sob olhares de mecânicos, garçons transportam iguarias para os camarotes e ainda tem os curiosos.
Para parte desse exército, o dia de hoje é o último em Interlagos. Muitos só voltarão no domingo à noite. Mesmo temporário, o Primeiro Mundo é para poucos.


