São Paulo - Ainda profundamente abalada pelo acidente de Jules Bianchi em Suzuka, no Japão, a Fórmula 1 encontrará em São Paulo, no início do próximo mês, um autódromo bem mais seguro. A reforma de Interlagos, que consumirá R$ 160 milhões, foi dividida em duas etapas. A primeira, iniciada em julho, a ser concluída antes do GP, marcado para o próximo dia 9, centrou-se em cinco aspectos.
A mudança mais radical se localiza na aproximação à reta dos boxes. Os pilotos agora vão desacelerar 300 metros antes e um perigoso muro foi derrubado. A largura da entrada para o setor de boxes foi aumentada de 30m para 45m. Foi necessário construir um muro de contenção com placas de cimento em uma extensão de 300 metros, com 10 metros de altura.
Outra área preocupante, a curva "S" do Senna, ganhou 10 metros de área de escape. Isso foi possível graças ao redesenho da saída dos boxes. O piso de concreto do pit lane (área em frente aos boxes, onde os carros param durante os pit stops), foi trocado. A nova peça tem sete metros de largura, quatro a mais do que a anterior.
O asfalto, que não recebia recapeamento completo desde 2007, agora recebeu. A nova cobertura asfáltica, um composto de alta tecnologia que proporciona mais aderência, vai oferecer uma pista mais uniforme, sem as ondulações provocadas pelo reparos pontuais feitos anualmente em locais críticos.
Por fim, o espaço que receberá os boxes auxiliares foi preparado. Executou-se o trabalho de terraplenagem, com terra removida da área da reta dos boxes. As novas estruturas ficarão entre a saída do "S" do Senna e o início da curva do Sol. "Interlagos será um dos melhores autódromos do mundo e um dos três mais seguros", disse o prefeito Fernando Haddad.
A obra foi viabilizada pelo apoio do Governo Federal, com verba do PAC Turismo. O orçamento total é de R$ 160,8 milhões - a Prefeitura entra com uma contrapartida de R$ 30 a R$ 40 milhões, segundo Haddad. "Se não fosse o PAC estaríamos em uma situação muito delicada e com sérios riscos de perder a prova para outra cidade".
A Prefeitura justifica que o alto investimento é compensado com sobras pelo impacto de R$ 260 milhões movimentados na economia da cidade graças ao GP. O número é produto de uma estimativa do Observatório de Turismo e Eventos, núcleo de estudos e pesquisas da São Paulo Turismo (SPTuris).
A Federação Internacional de Automobilismo (FIA), satisfeita com a reforma, renovou o contrato do GP do Brasil até 2020.
Outra grande categoria que pode desembarcar em Interlagos é a MotoGP. Brasília ia receber uma das etapas em 2013, mas o autódromo Nelson Piquet não foi reformado a tempo. "Interlagos tem sonhos ambiciosos. Estamos conversando com a MotoGP", disse Wilson Poit, presidente da SPTuris.

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