Interior apóia causa do Atlético
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segunda-feira, 09 de junho de 1997
Edmundo Inagaki e Maurício Borges 
A punição imposta ao Atlético e ao seu ex-presidente, Mário Celso Petraglia, pelo Supremo Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) da CBF causou indignação aos dirigentes de clubes do interior. Sueo Matsubara lamentou a suspensão de um ano do rubro-negro e a eliminação do ex-dirigente, que segundo ele, revolucionou o futebol no Estado. O Petraglia fez um trabalho com o Atlético que ninguém havia feito antes. Valorizou, divulgou o futebol paranaense para todo o Brasil e teve até jogador convocado para a seleção.
Matsubara disse que faltou igualdade no julgamento do STJD, uma vez que o Corinthians, outro clube citado no escândalo envolvendo o ex-presidente da Comissão Nacional de Arbitragem de Futebol (Conaf), Ivens Mendes, teria recebido um tratamento diferente. A questão da corrupção, não só no esporte, mas em todos os níveis, é muito delicada. Se a Justiça desportiva fosse apurar tudo o que acontece neste meio, o futebol brasileiro já teria acabado. Mas ficou estranho, punir um e não usar o mesmo rigor com o outro.
Sobre a possibilidade da Federação Paranaense adiar a realização do campeonato estadual do ano que vem - do primeiro para o segundo semestre -, para permitir a participação do Atlético, o dirigente do Matsubara argumentou que a manobra seria prejudicial aos demais clubes. Enquanto todos os estados do País estiverem realizando seus campeonatos, aqui no Paraná vamos estar parados. Para nós, que não vamos participar de nenhuma competição no segundo semestre, não teria problema. Mas e o Paraná, o Coritiba, o Londrina, que já têm compromisso marcado com a disputa do Brasileiro, como é que ficam? Antes de se pensar em qualquer mudança, acho que o Atlético deveria brigar pelos seus direitos.
O supervisor do União Bandeirante, José Corpas Moreno, não se surpreendeu com a atitude discriminatória do tribunal da CBF com relação ao Atlético, mas ele também fez ressalvas à alteração no calendário regional. Será que alguém tinha alguma dúvida sobre que fariam aqueles 11 juízes, todos cariocas? Estava na cara que o julgamento teria dois pesos e duas medidas. Agora, mudar a data do Campeonato Paranaense só por causa do Atlético não é uma boa idéia. A Federação não pode fazer isso sem o consentimento dos outros clubes.
O presidente do Apucarana, Jesus Vicentini, também manifestou-se contrariado com a decisão da CBF. Para Vicentini, quem deveria ser penalizado era o dirigente e não o clube e seus torcedores. Ele questionou o porquê de o Corinthians ter escapado ileso neste julgamento, considerando que o seu dirigente também teve envolvimento idêntico ao do presidente atleticano.
Para mim não resta dúvida de que houve sim uma cariocada, ou seja, uma execução e não um julgamento. Nas conversas, conforme atestam as fitas gravadas, o clube do dirigente que ofereceu mais, acabou recebendo uma pena mais branda. Foi uma decisão contra o futebol paranaense, uma vergonhosa, com a qual não concordamos de forma alguma, conclui Vicentini.


