Inquérito apura tentativa de suborno a árbitro em Londrina
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segunda-feira, 10 de maio de 1999
Ed Carlos Rocha (Curitiba) Cláudio Osti (Londrina) 
O Tribunal de Justiça Desportiva (TJD) da Federação Paranaense de Futebol abriu ontem inquérito para apurar denúncia de tentativa de suborno no futebol do Estado. O presidente da Comissão de Arbitragem da FPF, José Carlos Marcondes, divulgou no último domingo relatório em que o árbitro Sérgio Roberto Faria de Cristo descreve uma tentativa de suborno na véspera do jogo Londrina e Nacional, que aconteceu no dia 25 de abril, em Londrina, pela Série A-2.
No relatório, uma pessoa identificada como Maggi, que seria filho do empresário Gilberto Maggi, ligou para o árbritro às 13h15 do dia 24 oferecendo dinheiro para que ele facilitasse a partida para o Londrina, que acabou vencendo por 3 a 0. Ainda segundo o relatório, a ligação teria sido feita a mando do vice-presidente de futebol do Londrina, Célio Guergoletto.
Além do inquérito no TJD, o caso pode parar também na polícia. Marcondes afirmou que o presidente da FPF, Onaireves Moura, já encaminhou o assunto para a Secretaria de Segurança Pública do Estado, que deverá repassar para uma delegacia de Curitiba ou Londrina.
O presidente do TJD, Ítalo Tanaka Júnior, disse ontem que uma segunda ligação foi feita pelo ex-árbitro Valdir Festugatto. Pelo relatório, Festugatto teria dito que a primeira ligação teria sido feita por um amigo seu, mas que tinha sido para a pessoa errada.
De acordo com Tanaka, o presidente do inquérito, Oto Sponholz Júnior, irá marcar hoje o dia para que os primeiros citados no documento sejam ouvidos. Se comprovado o envolvimento dos citados no relatório, poderão responder por corrupção.
Devem ser intimados o próprio árbitro; José Carlos Marcondes; o filho de Maggi; Celio Guergoletto; Valdir Festugatto; o auxiliar do jogo, Aparecido Donizete Santana, e Eloir Prohmann, conhecido como Mala.
Conforme o relatório, o Mala esteve no vestiário depois do jogo dizendo ao árbitro que havia ganho um agasalho de Célio Guergoletto e que iria gastar com as meninas o dinheiro que Faria Cristo não quis receber.
Quem também será intimado é uma pessoa citada como Agostinho (Garrote), vice-presidente do Londrina, que, no vestiário teria dito ao Mala para ele sair por uma determinada rua, discretamente, que Célio iria buscá-lo. A conversa entre ambos, de acordo com o documento apresentado por Marcondes, teria sido ouvida pelo auxiliar Aparecido Santana.
O presidente do TJD afirmou ontem que não sabia porque o caso, acontecido há duas semanas, só agora foi tornado público. Marcondes disse que o fato já estava público desde o dia 26 e que alguns órgãos da imprensa já sabiam. Estava aqui na FPF para quem quisesse ver. Não falamos antes porque não vamos ficar fazendo estardalhaço deste tipo de coisa, disse Marcondes.
A Folha tentou contato com o Maggi e com Valdir Festugatto, mas eles não foram localizados. O vice-presidente de futebol do Londrina, Célio Guergoletto, negou ontem qualquer tentativa se suborno. Eu não conheço esse tal de Maggi e, com todo o respeito que eu tenho pelo Nacional de Rolândia, não é preciso subornar juiz para ganhar deles.
Segundo Guergoletto, no dia da partida contra o Nacional, ele recebeu um telefonema de um homem chamado Eloir que se dizia diretor do União São João de Araras. Ele disse que queria me dar uma camisa do time e pediu para ir ao estádio. Um assessor meu foi buscá-lo e, no meio de várias pessoas, ele me deu a camisa. O tal de Eloir me pediu uma camisa do Londrina. Eu falei que não tinha no momento e então ele entrou no vestiário do árbitro e disse: já que o senhor não quis o dinheiro nós vamos gastá-lo com umas meninas. Ninguém entendeu.
Ainda conforme Guergoletto, Eloir foi interpelado pelo diretor jurídico do Londrina, Antonio Amaral, e pela Polícia Militar. O homem foi revistado pela PM e só tinha R$ 5,00 no bolso. Aí ele foi colocado para fora do estádio, disse Guergoletto.


