'Inimigo' Oscar é colunista da Folha
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 21 de abril de 1999
Vera Sampaio Especial para a Folha 
O cestinha Oscar Schmidt, líder da equipe que enfrentará o Grêmio Londrina nas quartas-de-final do Campeonato Brasileiro de Basquete Masculino, passa a ser, a partir de hoje, o mais novo colunista da Folha de Londrina/Folha do Paraná. Seus artigos serão publicados sempre às quintas-feiras.
Oscar Daniel Bezerra Schmidt, 41 anos, já deixou seu nome na história do esporte mundial. Maior cestinha de todos os tempos da Federação Internacional de Basquete, Oscar detém inúmeros recordes, entre eles o de ter participado de cinco Olimpíadas - Moscou (1980), Los Angeles (84), Seul (88), Barcelona (92) e Atlanta (96) - sendo o cestinha das três últimas. No final de março foi escolhido pelos fãs da NBA (a liga profissional norte-americana) para o time dos sonhos de todos os tempos, formado pelos dez jogadores não-americanos. Um detalhe: Oscar foi o único da lista a não ter jogado na NBA, mesmo tendo recebido cinco convites ao longo da carreira.
Ainda em plena atividade, e mantendo uma média espantosa de pontos por jogo - 41,1 em jogos do Campeonato Brasileiro - Oscar conciliou durante quase um ano e meio sua vida de atleta e de marido e pai dedicado (é casado com Cristina há 18 anos e pai de Felipe, 13 anos, e Stephanie, 8 anos), com a de secretário municipal de Esportes, Recreação e Lazer da Cidade de São Paulo, cargo para o qual foi empossado no dia 2 de janeiro de 1997 e que deixou no dia 3 de abril de 1998.
A carreira de Oscar como atleta tem sido uma sucessão de vitórias e recordes. Em 20 anos de competições já marcou mais de 42 mil (42.330 no dia 21/4/99) pontos, um recorde absoluto na Federação Internacional de Basquete.
Pela Seleção Brasileira, da qual se despediu nos Jogos de Atlanta, ele tem computados 7.693 pontos em 326 partidas, média de 23,6 por jogo.
O desempenho de Oscar na Seleção Brasileira é recheado de conquistas. A principal delas aconteceu nos Jogos Pan-Americanos de 1987, quando o Brasil venceu os norte-americanos em Indianápolis (EUA). Foi a primeira derrota americana em seus próprios domínios. Defendendo a seleção, Oscar foi ainda tricampeão sul-americano (77, 83 e 85) e venceu por duas vezes a Copa América, em 1984 e 88.
Em 403 partidas que fez na Itália, anotou 13.957 pontos, média de 34,6 por jogo. Jogou na equipe do Caserta de 1982 a 90. Depois defendeu o Pavia, também da Itália, por mais três anos. Conquistou títulos italianos em 83 pelo Caserta e em 91 pelo Pavia. O Forum/Valladolid, da Espanha, foi a última equipe do exterior em que Oscar atuou antes de retornar ao Brasil para jogar no Corinthians/Amway e na Seleção Brasileira que jogou o Pré-Olímpico da Argentina, torneio que classificou o Brasil para Atlanta.
Na verdade, Oscar já havia se despedido da Seleção, mas foi convencido a voltar pelo técnico que mais influenciou sua carreira e grande amigo Ary Vidal.
Oscar é um exemplo único de paixão pelo basquete, esporte que conheceu aos 13 anos, quando acabara de chegar a Brasília, a reboque de mais uma transferência de seu pai, Oswaldo, farmacêutico da Marinha. Sua primeira equipe foi o Unidade Vizinhança, em 1975. No ano seguinte transferiu-se para o Palmeiras (SP), onde se tornaria bicampeão paulista e campeão brasileiro. A partir de 1978 foi para o Esporte Clube Sírio, ganhando mais um campeonato paulista e um brasileiro, além do inédito título de campeão mundial interclubes, em 1979. Ficou no Sírio até 82 e teve uma breve passagem pelo América (RJ). No mesmo ano foi para a Itália, onde atuou com absoluto sucesso durante 11 anos.
Para ir à Europa teve que tomar uma decisão difícil: abandonar o terceiro ano do curso superior de administração de empresas na conceituada faculdade Mackenzie, em São Paulo. Para sua mulher, Cristina, a decisão foi ainda mais difícil: faltavam apenas dois meses para completar o curso de psicologia. Mas se os 13 anos de Europa impediram que prosseguisse formalmente os estudos, por outro lado lhe deram uma visão de mundo invejável. Oscar deixou de se concentrar unicamente no esporte, para se preocupar também com os grandes temas sociais.
Em razão desta sua nova postura, foi duplamente premiado no ano de 1990, na Itália, quando sua importante participação em uma campanha contra o racismo lhe valeu o Prêmio Mandela e o Prêmio do Mérito Esportivo. Para ele, aliás, foi natural participar da campanha, já que seu grande amigo nos tempos de juvenil era Chicão, do Palmeiras, que Oscar gosta de chamar de meu irmão preto.


