Ingresso para final a 1.500 euros
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quarta-feira, 05 de julho de 2006
France Presse 
Munique - Um ingresso para a final da Copa do Mundo, domingo em Berlim, custa neste momento 1.500 euros no mercado negro, segundo um revendedor que atuava no centro de Munique ontem, onde vendia entradas para a semifinal França x Portugal. O jovem revendedor, que se apresentou com o nome falso de Tony, passeia pela Marienplatz com um pequeno cartaz: ''kaufe karten, tickets wanted'' (busco entradas). ''Compro e revendo. Fiz isto durante toda a minha vida'', afirma Tony, 30 anos.
Na praça central de Munique, lotada, poucas horas antes do início de França x Portugal, dois alemães propuseram duas entradas por 1.000 euros. ''Muito caro. Não, obrigado'', responde Tony.
Em seguida, um torcedor francês perguntou se tinha dois ingressos para França x Portugal. ''Sim, 600 euros as duas'', respondeu Tony. ''Muito caro'', respondeu o interessado. ''Faço por 550'', replicou Tony. ''Espera, tenho que consultá-lo por telefone'', respondeu o comprador. Finalmente chegam a um acordo por 500 euros. ''Para a transação, temos que ir para outro lugar, há muitos policiais'', alertou um temeroso comprador ao observar várias viaturas. ''Não, senta aí e pega o dinheiro'', respondeu Tony.
O comprador saiu muito feliz, mas Tony nem tanto. Sobre os dois ingressos que custavam inicialmente 150 euros, deve ter obtido um lucro de apenas 20 euros. Tony se nega a dizer de quem comprou as entradas, que revende com um cúmplice que exibe uma bandeira francesa nas costas.
Nos arredores do Allianz Arena, estádio da semifinal entre franceses e portugueses, as entradas foram revendidas por mais do que o dobro do preço inicial. Outro homem confirma a primeira avaliação de Tony para a final em Berlim: ''Cada entrada custará no mínimo 1.500 euros''.
A Fifa instaurou um sistema de entradas nominais para evitar a revenda no mercado negro. ''Porém, é impossível controlar isto, levando em consideração o grande número de espectadores em cada partida'', afirma Tony, que começou a revender bilhetes antes mesmo da abertura da Copa, no dia 9 de junho.
Para ele, este é um evento especial. Em alguns dias chegou a ter lucro de 12 mil euros. ''Os melhores clientes são os mexicanos, são os que pagam mais e isso porque vêm de longe. Depois dos mexicanos aparecem os ingleses e os argentinos'', afirma Tony.
No entanto, a venda de ingressos no mercado negro também tem seus riscos. ''Em Berlim, a polícia me tirou mais de 6.000 euros. É um risco. Ou faço isto ou não como'', concluiu.


