Curitiba - No próximo dia 18, três candidatos disputam a presidência da Federação Paranaense de Futebol (FPF), entidade repleta de dívidas e com a imagem desgastada depois dos longos anos da administração Onaireves Moura, recém-saído da prisão. Em primeira análise, um verdadeiro ''abacaxi'' que não atrairia a atenção de muitos interessados. Mas nos últimos dias, a disputa se acirrou principalmente pela interferência do poder público.
Para estudiosos do assunto, esse é mais um exemplo da estreita relação entre política e futebol, frequentemente observada no Brasil. No caso da FPF, o que teria despertardo o apurado faro da classe política é a definição das sedes para a Copa do Mundo de 2014, que obrigatoriamente passará pela federação e que pode trazer dividendos ao ocupante do cargo.
O componente político na eleição da FPF ficou claro na última semana com o lançamento da chapa encabeçada por Rafael Iatauro. Atual secretário-chefe da Casa Civil do governo do Paraná e ex-presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Iatauro entra na disputa com o aval do governador Roberto Requião (PMDB). Ainda na semana passada, o atual presidente da FPF e candidato à reeleição, Hélio Cury, chegou a declarar que dirigentes com direito a voto estariam sendo pressionados por prefeitos e deputados a apoiarem Iatauro por causa de suas ligações com o governo estadual.
Apesar das críticas, nos bastidores circulam boatos de que o próprio Cury teria o apoio de políticos. Seu principal cabo eleitoral seria o prefeito de Curitiba, Beto Richa (PSDB), desafeto de Requião. A assesoria de imprensa de Richa, no entanto, nega que ele tenha adotado qualquer posicionamento na disputa e garante que o prefeito não se manifesta sobre o assunto. Para completar o elemento político na eleição da FPF, o terceiro candidato é o ex-prefeito Élcio Berti, famoso por suas excentricidades quando administrava o município de Bocaiúva do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba.
Distante da disputa, o historiador Ricardo Pinto dos Santos, pesquisador do laboratório do Tempo Presente da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), afirma que o interesse de personagens políticos na eleição de uma entidade esportiva tem suas explicações. ''O futebol continua sendo o espetáculo mais popular do mundo. Aproximar-se de um espetáculo desse porte traz benefícios para a imagem do político'', argumenta Santos, autor do livro ''Memória social dos esportes - Futebol e política, a construção de uma identidade nacional''.
Mas o historiador aponta um outro fator que, segundo ele, seria o principal para atrair a classe política para a atual disputa na FPF: a Copa do Mundo de 2014. No fim deste ano, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) confirma quais serão as cidades-sede do mundial. ''Ser o Paraná sede de uma partida da Copa pode trazer retorno à imagem do governante que conseguir aquilo'', diz Santos. ''Na verdade, tudo é um jogo de interesses. Toda a estrutura (para a Copa) será montada pelo Estado. Nos próximos três anos, o futebol vai mobilizar milhões e ter alguém ali dentro (de uma federação) pode trazer muitos benefícios. Trata-se de um capital não só simbólico, mas real'', acrescenta Santos.

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