Infarto mata Chirol aos 64 anos
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terça-feira, 29 de dezembro de 1998
Agência Estado 
O preparador físico Admildo Chirol, de 64 anos, morreu ontem de manhã, vítima de um infarto fulminante. Após passar mal, em casa, ele chegou a ser levado para a clínica Rio Mar, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio, mas não resistiu. Foi uma coisa inesperada, ele era muito saudável, disse, chorando, sua filha Lenora.
Segundo ela, Chirol não sofria de problemas no coração. Ele estava muito feliz, porque iria trabalhar com um amigo, disse Lenora, referindo-se ao convite feito por Zagallo para participar da comissão técnica da Portuguesa de Desportos. O sepultamento estava marcado para as 17 horas de ontem mesmo, no cemitério Jardim da Saudade, em Jacarepaguá, na zona oeste do Rio.
Chirol integrou a comissão técnica da Seleção Brasileira tricampeã na Copa do México, em 1970, com Zagallo, Carlos Alberto Parreira e Cláudio Coutinho. Juntos, inovaram nos métodos de preparação física, levando o time com meses de antecedência para o México para os jogadores se adaptarem à altitude de mais de 2.000 metros.
Chirol, Parreira e Zagallo voltaram a se juntar na campanha do tetra, há quatro anos, mas o preparador foi afastado um ano antes da Copa, sob a alegação de acumular um cargo no funcionalismo estadual. Ele moveu na Justiça um processo trabalhista contra a CBF e, por essa razão, não pôde integrar a comissão técnica comandada por Zagallo na última Copa da França.
Muito abalado com a notícia da morte, Zagallo disse à tarde, antes do enterro, que deve seguir nesta terça-feira para São Paulo, como estava previsto. Já conversei com o presidente (da Portuguesa) e estou indo amanhã (hoje), porque não adianta adiar por mais um dia. Zagallo vai escolher outra pessoa para substituir o amigo no cargo de supervisor técnico, mas não quis adiantar nomes. Preciso conversar sobre outra pessoa com o presidente, mas não é o momento de abordar esse assunto.
O ex-técnico da seleção lembrou a convivência de muitos anos com Chirol. Zagallo começou a carreira de treinador substituindo Chirol, que foi para a preparação física do Botafogo, no início dos anos 60. Eles trabalharam juntos até na Arábia. Ele era 1.000%, como um irmão, afirmou. Vou sentir demais a morte dele.


