São paulo - O futuro está longe das principais cidades do país, em um instrumento rústico, quase grosseiro, de seu praticante mais antigo. Parece um retrocesso, mas é assim, retomando suas origens, que a modalidade olímpica menos popular do Brasil pretende prosperar e ganhar novos adeptos na temporada 2005.
A idéia dos dirigentes do tiro com arco é simples: invadir as reservas e convidar índios para os campeonatos. Em vez de fazê-los praticar com as modernas peças de alumínio e fibra de carbono, contudo, o projeto prevê o uso de aparelhos arcaicos, produzidos com bambu e folhas de palmeira.
''É muita gente com potencial'', explica Vicente Fernando Blumenschein, presidente da Confederação Brasileira de Tiro com Arco. Batizado de ''Tiro Nativo'', o projeto deixou o papel em 1999, com a realização do primeiro torneio nacional.
''Acho que o número de pessoas atirando com o arco indígena vai ultrapassar o dos que praticam com o instrumento comum'', relata Blumenschein.
Segundo a confederação, cerca de 250 pessoas competem no Brasil com o arco tradicional. Até o final de 2004, ao menos 180 disparavam flechas usando o aparelho concebido pelos índios.
O projeto também escapa da região Sudeste e aposta nos rincões do Brasil. Os talentos mais proeminentes aparecem hoje em Rondônia, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, justamente onde habita boa parte da população indígena.

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