O Londrina se despede hoje melancolicamente do Módulo Amarelo (segunda divisão) da Copa João Havelange. Pior equipe entre os 18 componentes do Grupo A, o Tubarão recebe o líder São Caetano às 16 horas, no Estádio Vitorino Gonçalves Dias (VGD), numa partida que servirá de treino para o time paulista. Apesar da péssima campanha e da falta de perspectivas do time, a passiva torcida londrinense não preparou nenhuma manifestação no confronto entre o pior e o melhor do Grupo A. As duas principais torcidas organizadas do clube têm posições antagônicas em relação ao jogo.
A Falange Azul, que congrega 580 associados, escolheu a indeferença para se manifestar. Ao invés de ir ao VGD ver o jogo dos profissionais, os torcedores decidiram apoiar os juniores do Londrina que enfrentarão o Nacional (Rolândia), às 15h30, no Estádio do Café. ‘‘Esse não é o time do Londrina. Estão fazendo os outros (torcedores) de palhaço. Vamos apoiar os juniores, que são o futuro do clube’’, afirmou Fernando Cesar Pereira, presidente da Falange.
Mesmo com poucos torcedores – cerca de 30 têm ido aos jogos –, a Sangue Azul decidiu prestigiar o time. ‘‘Não se bate em cachorro morto’’, justificou Milton Aparecido da Silva, presidente da Sangue, que tem cerca de 200 associados. A falta de uma diretoria constituída no Londrina é o principal motivo alegado por ele para não haver protestos mais fortes contra o clube. ‘‘Vamos estar lá para empurrar o time’’, avisou ele. Milton prega a renúncia do presidente José Carlos de Castro Costa, o Zé Café, que está afastado do clube, visando uma reformulação geral na direção do Londrina.
Tanto Fernando quanto Milton são contra a continuidade da parceria no Londrina. ‘‘Do jeito que está não dá pra continuar. É preciso rever esse contrato, colocar as coisas às claras e fazer um balanço geral no clube’’, defende Milton. ‘‘A gente não tem livre escolha sobre isso. Para mim, esses caras (empresários Roberto Campi e Ciro Antônio Rios) já deveriam ter ido embora’’, afirma Fernando.
Se fora de campo há indeferença, dentro dele os problemas do Londrina não param de aumentar. O técnico Dino Camargo terá quatro baixas contra o São Caetano. Três são no meio-de-campo: não jogarão Flávio Goiano (contusão no joelho direito), Vinícius (contratura na coxa esquerda) e Chapecó (contratura na coxa direita). Marquinhos, expulso contra o Vila Nova, desfalca o ataque.
A única dúvida é quanto a escalação de Glauco no meio-campo ou do júnior Renato Brasília no ataque ao lado de Johnson. O Londrina vai a campo sem tática e motivação nenhuma. ‘‘Não temos obrigação nenhuma, mas vamos jogar com dignidade para honrar o nosso nome’’, disse Dino Camargo.
O São Caetano dá-se ao luxo de jogar com quatro desfalques e ainda assim manter uma base fortíssima. Estão fora do jogo o lateral Japinha, o zagueiro Daniel, o meia Ailton e o atacante Adhemar.

mockup