São Paulo - A divulgação dos índices para as provas de atletismo dos Jogos Pan-Americanos criou uma situação inusitada: em algumas modalidades, será mais difícil conseguir uma vaga para a competição, marcada para outubro em Guadalajara, no México, do que para o Campeonato Mundial, previsto para agosto em Daegu, na Coreia do Sul.
A decisão atinge principalmente as provas de velocidade. Segundo Katsuhiko Nakaya, integrante do conselho consultivo da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) e técnico dos líderes do ranking masculino e feminino dos 100 metros em 2010 - respectivamente Nilson André e Ana Cláudia Lemos - isso não é tão incomum. ''A diferença acontece porque no Pan a prioridade é levar atletas com condições de conquistar medalhas. No caso do Mundial, assim como na Olimpíada, é importante ter o maior número possível de atletas do País em uma final. Chegar a uma final olímpica já pode ser considerado algo grandioso'', declarou.
A CBAt estabeleceu que, para o Mundial, o Brasil poderá ter até três atletas por prova. O primeiro será o campeão sul-americano, que tenha estabelecido o índice B da Federação Internacional de Atletismo (Iaaf) de 1.º de janeiro a 7 de agosto deste ano. Os outros terão de conseguir, no mesmo período, o equivalente à 12. marca na média dos três últimos Campeonatos Mundiais ou Olimpíada. No caso da maratona, marcha atlética, 10 mil metros, heptatlo e decatlo os prazos para obtenção dos índices são um pouco diferentes, mas os critérios são os mesmos.
Para o Pan, será convocado o primeiro colocado do ranking brasileiro no período de 1.º de janeiro a 4 de setembro. Um segundo ou um terceiro atleta só ganha vaga se conseguir marcas equivalentes à sexta posição no ranking pan-americano de 2010. Segundo a CBAt, os critérios foram estabelecidos em um congresso técnico da entidade realizado no fim de 2009.
A entidade alega que, em algumas modalidades, os índices do Pan são mais fortes do que os do Mundial porque os atletas de ponta da modalidade estão nas Américas. Ao mesmo tempo, na Iaaf o objetivo é criar índices fortes para o Campeonato Mundial, mas com a preocupação de não impedir a participação de uma quantidade expressiva de países filiados à entidade.
Para algumas modalidades será complicado conseguir índices. É o caso dos 100, 200 e 400 metros masculino nos quais os melhores tempos do Brasil no ano passado são inferiores às marcas estabelecidas pela CBAt. Nos 100 metros, será preciso correr 10s15 para ir ao Mundial e 10s01 para competir no Pan. O melhor resultado de Nilson André em 2010 foi 10s21.
O mesmo ocorre nas provas masculinas e femininas dos 200 metros. Entre os homens, o índice do Mundial é 20s43 e o do Pan, 20s29, mas o tempo de André, o melhor do País no ano passado foi 20s41. Entre as mulheres, é preciso correr 22s82 para garantir vaga no Mundial e 22s69 para participar do Pan de Guadalajara, mas Ana Cláudia Lemos só conseguiu 23s07. A dificuldade não será exclusividade dos corredores. Também ocorre em modalidades como o arremesso do peso.

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