Janaina Tupan Frare
Especial para a Folha
O maratonista paranaense Vanderlei Cordeiro de Lima, 29 anos, conquistou o índice para participar dos Jogos Olímpicos de Sidney no próximo ano. O tempo de 2h8m40s, feito no último domingo na Maratona de Fukuoka, no Japão, garantiu a ele o terceiro lugar e o índice que possivelmente o levará para a Austrália.
Para garantir a sua participação nos Jogos, Vanderlei precisava fazer um tempo menor que 2h12m – e explica por que: ‘‘Esta marca, pelo menos 10 brasileiros podem conseguir. Para a seleção que representará o Brasil em Sidney, serão convocados os dois atletas que tiverem o menor tempo abaixo das 2h12m’’.
E ele conseguiu. Aliás, ele é o único brasileiro a manter o tempo abaixo de 2h9m em mais de uma maratona. Com esse desempenho, Vanderlei encerra o ano na primeira posição do ranking nacional e na 24ª do ranking mundial.
Mesmo dependendo do índice de seus companheiros de maratona para a sua ida à Sidney, o paranaense de Cruzeiro do Oeste parece confiante. ‘‘Estou treinando muito para isso. Às vezes, chego a correr 30 quilômetros de uma só vez durante os treinamentos. Participar das Olimpíadas é o sonho de todo atleta, não poderia deixar de ser o meu. Já participei de uma, mas agora quero a medalha’’, diz ele. E ainda afirma que continua na torcida para que mais atletas consigam este índice. ‘‘O que eu quero é que o Brasil esteja bem representado lá fora.’’
Segundo Agnaldo Veroneze, coordenador da equipe Funilense/São Caetano, pela qual o paranaense corre atualmente, Vanderlei está na sua melhor forma física, e o resultado obtido no Japão já era esperado, apesar de reconhecer que a Maratona de Fukwoka não é das mais fáceis. ‘‘Como não é aberta ao público, participam somente atletas com nível técnico elevado. São cerca de 200 atletas correndo com as mesmas chances e os mesmos objetivos’’, explica.
Vanderlei liderou a Maratona de Fukuoka do quilômetro 26 ao 37, puxando o ritmo da prova com uma boa distância dos outros atletas, mas nos últimos quatro quilômetros não conseguiu manter a posição e foi alcançado pelo etíope Gezenge Abera e pelo francês Mohamed Quaadi, que ficaram respectivamente com o primeiro e segundo lugares.
Vanderlei trabalhou como bóia-fria durante toda a sua infância em Cruzeiro do Oeste. ‘‘Já cortei cana, colhi algodão, já fiz todo serviço de campo que se pode imaginar’’, diz o atleta. Começou a correr no município de Tapira e aos 14 anos foi treinar em Maringá. Em 94 foi convidado para participar da Maratona de Reins, na França, como coelho – corredor que só está ali para aumentar o ritmo da prova. Para a surpresa de todo o mundo, cruzou a linha de chegada em primeiro lugar. Desde então não parou mais. Em seu currículo acumula títulos como o de campeão da Maratona de Tóquio, em 96; 3º lugar na Copa do Mundo de Maratonas, em Atenas, 97; vice-campeão da Maratona de Tóquio, no Japão e da Dong-A, na Coréia, em 98; além de já ter participado de uma Olimpíada, em Atlanta.
Vanderlei, que chegou quarta-feira à tarde a Cruzeiro do Oeste para descansar na casa dos pais, não vai ter muito tempo de folga. Logo ele começa a se preparar para a prova de São Silvestre, que acontece no último dia do ano, em São Paulo. ‘‘Vou correr sem compromisso, mas espero poder brigar por um lugar no pódio.’’Em sua melhor forma, maratonista paranaense de 29 anos
terá na Austrália a sua segunda chance de pódio olímpico
Arquivo FolhaSONHO DOURADOVanderlei Cordeiro de Lima comemora uma de suas muitas vitórias: ‘Já participei de uma Olimpíada, mas agora quero uma medalha’

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