Kuala Lumpur - Quando começou o zum-zum-zum de que um piloto indiano chegaria à Fórmula 1, muita gente disse que ele entraria no paddock de turbante, um rubi preso na testa e montado num elefante. ''Mas domesticado ou selvagem?'' brincou Narain Karthikeyan, 28 anos, piloto da Jordan, ontem no circuito de Sepang, onde amanhã, às 4 horas (horário de Brasília), será disputado o GP da Malásia, segunda etapa do Mundial. A Rede Globo transmite as 56 voltas do GP da Malásia ao vivo.
Enquanto Giancarlo Fisichella e Fernando Alonso, da Renault, Kimi Raikkonen e Juan Pablo Montoya, McLaren, além, claro, de Michael Schumacher e Rubens Barrichello, Ferrari, irão lutar lá na frente pela vitória na corrida mais quente do ano, o indiano prosseguirá no seu papel de coadjuvante da competição. ''Ouvi e até li coisas impressionantes a meu respeito depois de desembarcar na Inglaterra para disputar a Fórmula 3 a fim de, um dia, correr na Fórmula 1'', disse o admirador confesso de Mahatma Gandhi.
Apesar de ser um dos mercados mais emergentes do mundo, a Índia ainda guarda a imagem de nação filosófica, berço de Buda. Nesse sentido, a presença de um indiano até com algum retrospecto no automobilismo despertou a atenção da Fórmula 1, ainda que Karthikeyan não seja, pelo seu discurso, o melhor exemplo de praticante de Yoga: ''Olha essas coisas de imortalidade da alma, espiritualidade, religião, tão comuns na Índia, não têm muito a ver comigo, apesar de respeitá-las. Sou hinduísta e não budista.''
Treinos Depois das duas sessões de treino livre de ontem, os pilotos tiveram uma idéia mais precisa do que podem realizar no GP da Malásia, na madrugada de sábado para domingo, às 4 horas (horário de Brasília), embora sem levar em conta sua colocação no grid. Agora, apenas quatro horas antes da largada é disputada a segunda e decisiva sessão de classificação.
O mais veloz no treino livre da tarde, o mais importante, foi Felipe Massa, da Sauber, com 1min35s608. ''Como eu havia dito antes, nossas chances de marcar pontos aqui são muito boas. Nosso carro é melhor do que as condições da Austrália me permitiram demonstrar.'' Ele tinha o carro mais leve que o do companheiro, Jacques Villeneuve, mas que continua tendo dificuldades de se adaptar ao modelo C24 da Sauber. O canadense obteve o 18º tempo, 1min38s121.
Rubens Barrichello, da Ferrari, disse ter compreendido, ontem, que poderá, a exemplo da etapa de abertura do campeonato, se dar bem na prova. ''Nosso ritmo de corrida é bom, melhor que o de classificação. Obtive o sétimo tempo (1min35s949) porque errei no início do treino e acabei na brita. Tive sorte de poder voltar no fim.'' Michael Schumacher experimentou os pneus duros, enquanto Rubinho concentrou-se nos moles. O alemão foi apenas o 16º.

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