O futuro do Londrina é um grande ponto de interrogação. Grande mesmo. Pergunte a alguém do clube o que vai acontecer no próximo semestre, ou mesmo no próximo mês. Não precisa ir muito longe, pode ser na próxima semana. Dificilmente alguém terá a resposta. O motivo é a novela que se tornou a permanência do empresário Adir Leme da Silva no controle do clube. Novela que já teve vários capítulos finais marcados. No entanto, nenhum com desfecho. O fim, promete ser revelado hoje.
Depois de um mês longe, Adir prometeu voltar a cidade hoje com a resposta. Entretanto, a promessa havia sido feita outras vezes e ele não apareceu. Aliás, saiu de cena de vez desde que ouviu a proposta feita pelo presidente da Fundação de Esportes de Londrina (FEL) e professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Ariobaldo Frisseli, o Dedé, de planejamento de trabalho tanto para dentro como para fora de campo. Proposta que daria mais transparência aos obscuros negócios realizados dentro do VGD.
A Folha tenta falar com Adir há dias, mas sem sucesso. ''Me parece que ele estava na Argentina'', disse o presidente do Conselho Deliberativo do Londrina, o advogado Fábio Theóphilo, outro que espera ansioso para falar com o gestor. ''O conselho vai se reunir na semana que vem com ou sem a definição dele'', decretou.
Theóphilo aguarda a resposta de Adir para formatar o contrato entre as partes. O empresário alega ter tido um prejuízo de cerca de R$ 1 milhão neste um ano em que terceirizou informalmente o departamento de futebol do clube. Por isso, teria feito exigências para permanecer, como, por exemplo, blindar as receitas do clube das ações trabalhistas.
Para isso, o clube já deu um jeito, pois hoje assina mais um acordo com a Justiça do Trabalho, que deve aliviar, pelo menos por enquanto, as penhoras das receitas alvicelestes. Outra reivindicação é a participação na venda de jogadores, uma forma de recuperar o que gasta com o Londrina. Apesar de afirmar que não haviam sido impostas condições para a permanência do dirigente, Theóphilo deixou escapar algumas delas. ''Um contrato com prazo longo e porcentagens para ele e para o clube'', disse.
Já o presidente Peter Silva se mantém longe das discussões sobre a permanência ou não de Adir. Questionado ontem sobre a demora na decisão do empresário e se isso atrapalharia o planejamento do clube, ele não quis se pronunciar. Também evitou falar sobre a decisão que o atual vice-presidente de futebol irá tomar. ''Como diz aquela frase: nada a declarar'', limitou-se a dizer Peter. ''Vou aguardar amanhã (hoje) para ver o procedimento a ser tomado'', completou.
Peter também não quis falar se há um plano B para o caso de Adir sair. Em setembro, o Londrina disputará a Copa Paraná e uma alternativa, neste caso, seria usar os garotos que estão subindo do time Sub-20, o que é apoiado pelo conselho. ''O plano B é disputar as competições com a estrutura que está aí'', apontou Theóphilo.

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