Indefinição esvazia jogo decisivo
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segunda-feira, 27 de agosto de 2018
Diego Garcia<br>Folhapress 
São Paulo - Menos de 24 horas antes de entrar em campo para enfrentar o Independiente, no Pacaembu, às 19h30, pelo duelo de volta das oitavas de final da Libertadores, o Santos não sabia que resultado precisaria para se classificar às quartas de final. A partida de ida, na Argentina, terminou em empate por 0 a 0, mas o resultado poderia ser alterado pela Conmebol.
O clube brasileiro é acusado de ter escalado o meia Carlos Sánchez de forma irregular. O atleta foi expulso em jogo da Copa Sul-Americana de 2015, quando defendia o River Plate e, pelas regras da Conmebol, precisaria cumprir suspensão no último dia 21. Se o tribunal decidisse punir o Santos, o Independiente seria declarado vencedor do jogo de ida por 3 a 0.
A entidade analisou o caso nesta segunda-feira (27) das 15 às 18 horas em sua sede no Paraguai, mas, até o início da noite, ainda não havia divulgado o resultado do julgamento. Em caso de revés no tribunal da confederação, o Santos precisaria ganhar por quatro gols de diferença nesta terça (28) para se classificar às quartas de final da Copa Libertadores.
No âmbito jurídico, o clube ainda poderia acionar o Tribunal de Apelações, que atua como segunda instância na Conmebol, para tentar reverter eventual decisão desfavorável nesta segunda-feira. Se o resultado da ida fosse mantido, a equipe brasileira necessitaria apenas de uma vitória simples para avançar na competição continental.
Em sua defesa, o Santos alegou que agiu de boa-fé no caso, da mesma forma que aconteceu com o River Plate e o meia Bruno Zuculini, exemplo dado pelo time brasileiro para manter o resultado de campo. O argentino atuou de forma irregular em sete partidas da Libertadores deste ano. Ele estava suspenso por uma expulsão na Sul-Americana de 2013, quando estava no Racing. Quando o caso foi revelado, a Conmebol afirmou que o River Plate não seria punido com perda de pontos.
A diferença para o caso do Santos é que o River consultou a entidade por escrito sobre a condição de jogo do atleta. A organizadora da Libertadores reconheceu um "erro administrativo" no caso e absolveu a equipe argentina.
Já o Santos não enviou ofício à Conmebol antes de escalar Sánchez para saber se o jogador tinha alguma punição disciplinar. Ao invés disso, acessou o sistema Comet, mantido pela própria confederação, e constatou que o uruguaio tinha condições de jogo. O software foi criado em 2016, ano em que a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) foi avisada pela Conmebol de que os clubes deveriam fazer consultas por escrito sobre as condições de jogo de cada atleta relacionado.
O caso do Santos não é o único recente do futebol brasileiro no que diz respeito à Conmebol. No ano passado, a Chapecoense foi punida pela escalação irregular do zagueiro Luiz Otávio, que havia feito gol na vitória por 2 a 1 contra o Lanús, na Argentina. A decisão da entidade sul-americana eliminou a equipe brasileira da briga pela classificação para as oitavas de final da Libertadores de 2017 e beneficiou o time argentino, que herdou um 3 a 0 por W.O. e foi às oitavas de final. Só parou na final do torneio, quando perdeu para o Grêmio.
EM SÃO PAULO
Santos
Vanderlei; Victor Ferraz, Lucas Veríssimo, Gustavo Henrique (Rodrigo Bambu) e Diego Pituca (Jean Mota); Alison, Carlos Sánchez e Rodrygo; Derlis González (Jean Mota), Gabigol e Bruno Henrique. Técnico: Cuca
Independiente
Campanha; Bustos, Franco, Figal e Sánchez Miño; Francisco Silva, Pablo Hernández, Romero, Meza e Benítez; Gigliotti. Técnico: Ariel Holan
Árbitro: Julio Bascuñan (CHI)
Estádio: Pacaembu
Horário: 19h30


