Incrível! Futebol nasceu no Japão no ano 4500 a.C.
Incrível! Futebol
nasceu no Japão
no ano 4500 a.C.
O kemari teria dado origem
ao esporte, mas pesquisador chinês garante
que 5000 anos antes de Cristo já
existia jogo parecido em seu país
Nelson Cilo
Arquivo FolhaIdade Média: bola disputada a socos e pontapésPaixão é isso. Não estabelece limites na vitória ou na derrota. O torcedor comemora ou enrola a bandeira, mas mantém a fidelidade ao time. Se ganha, tira um barato no adversário. Se perde, encontra justificativas. É o planeta futebol. Craque vira herói, todo jogador precisa honrar a camisa que veste e perna-de-pau não tem vez!
Mas quando é que foi dado o verdadeiro pontapé inicial?
A história mostra que o futebol e os torcedores mantêm uma cumplicidade milenar. Os ingleses não foram os primeiros donos da bola, como já se acreditou. Pesquisadores procuram desvendar segredos e mistérios, mas nem eles conseguem se entender quanto às origens, datas e calendários exatos. Se você folhear velhos arquivos, verá que existem muitas divergências.
Arquivo FolhaMoçada que se reuniu em Londres, em 1863: primeira associação nacionalOficialmente, em 1848, uma conferência na escola inglesa de Cambridge decidiu unificar as regras de um esporte que se popularizava no país. Em 1863, também na Inglaterra, foi inaugurada a primeira entidade nacional de futebol. É, portanto, um ponto de referência. Mas...
Recuemos a fita do filme para conferir antigas cenas. No ano 4500 a.C., os japoneses praticavam o kemari - um pouco semelhante ao futebol atual. Em volta de uma cerejeira - árvore símbolo do país - nobres da corte imperial usavam as mãos e os pés para lançar a bola de fibras de bambu. Os escravos, que assistiam passivamente, corriam para apanhá-la e devolvê-la aos jogadores. Pioneiros? O pesquisador chinês Liu Bingguo jura que não.
Segundo ele, algo idêntico ao kemari já era praticado na China 5000 anos antes de Cristo. Mas o inventor de um jogo parecido com o futebol moderno pode ter sido o imperador chinês Huang-Tsé (2500 a.C.). Ele criou uma diversão - o tsu chu - que utilizava uma bola de couro redonda (22 cm de diâmetro) recheada de cabelo e crina. Os praticantes não podiam deixá-la cair, lançando-a entre duas estacas - interligadas por um fio de seda - fincadas no chão. Não seria a origem do gol?
Agora vamos à Grécia, ano 800 a.C.: na cidade-estado de Esparta jogava-se o epyskiros. As equipes de 15 atletas cada uma chutavam uma bexiga de boi. Nela, havia ar e areia. Era a spahiromachia, passatempo preferido nas casernas durante os treinamentos militares. Os soldados passaram a usar expressões do tipo bola longa, passe curto e bola pra frente.
No começo da Era Cristã, em Roma, o futebol se chamava harpastum, e parecia mais uma batalha campal que um esporte. Era preciso atravessar as linhas inimigas conduzindo uma bola de bexiga de boi. Em 50 a.C., surgiu na Normandia - atual região francesa - um esporte (soule ou choule) que mostrava algumas das características do futebol de hoje. Tudo teria se originado das influências latinas na Gália - antiga França. Durante a campanha contra os gauleses, as tropas de Júlio César teriam introduzido o harpastum. Mas não há documentos que provem.
Em 1175, os moradores de algumas cidades da Inglaterra já chutavam uma bola de couro pelas ruas, segundo relato contido num livro da época. Comemorava-se a expulsão dos dinamarqueses no período de domínio anglo-saxão. A bola representava ou simbolizava a cabeça de um oficial do Exército invasor.
Em 1314, o jogo da bola popularizou-se ainda mais. A tal ponto, que o rei inglês Eduardo II proibiu a prática da modalidade. O receio da realeza era que os jovens ignorassem o arco-e-flecha - considerado essencial para a segurança de um país permanentemente em guerra. Valiam todos os meios desleais: socos, pontapés e pauladas. E não havia limite de jogadores.
Em 1529, chegamos à cidade italiana de Florença. Lá, o calcio fiorentino era o resultado direto de uma guerra contra um importante centro econômico: Florença. As forças do príncipe Orange sitiaram a cidade. De repente, duas forças políticas resolveram eliminar a velha rixa. Através de um jogo de bola.
De um lado, os partidários de Séglio Antinori. De outro, a turma de Dante Cantiglione. Cada equipe era composta de 27 jogadores. A correria durou algumas horas na mesma data (24 de junho) em que comemora o dia de São João.
Somente no século XVII (1681) é que os reis da Inglaterra iriam permitir a prática do futebol no país. O calcio seduziu os partidários do rei Carlos II, refugiados na Itália por causa da república que Oliver Cromwell havia instaurado. Restabelecida a monarquia, eles difundiram no país um jogo mais organizado e regulamentado do aquele de duzentos anos antes.
Em 1681, os servos do rei Carlos II e os do Conde DAlbemarie se enfrentaram. No fim, o rei entregou prêmios aos vencedores: o time do Conde. Agora sim, estava nascendo o verdadeiro futebol. Ou não?
Vamos organizar!Muito bem: até aqui, a história do futebol apresentou inúmeros capítulos das fases em que a lei pertencia simplesmente aos mais fortes. Aos truculentos, enfim, que batiam pesado nas casernas ou nos espaços que se transformavam em cenários de guerra. Era preciso criar normas que dessem um jeito ao corre-corre sem táticas. Vamos organizar a bagunça! - alguém deve ter sugerido.
Inglaterra, 1810 a 1840. O futebol atraía muitos adeptos entre os estudantes dos colégios. Equipes inglesas participavam de torneios improvisados. As primeiras regras ficaram estabelecidas na histórica reunião de 26 de outubro de 1863, em Londres, à luz de velas na Taberna Freemasons, em Great Queen Street. Compareceram representantes de 11 clubes e escolas.
Inicialmente, as opiniões divergiam. Uns queriam unificar as regras em cima dos fundamentos do rúgbi. Prevaleceu a tese daqueles que defendiam o uso dos pés. Fundaram a The Football Association. A entidade daria forma definitiva ao esporte que conquistaria a preferência mundial.
Em dezembro de 1863, codificaram o futebol. As nove regras de Cambridge serviram de base. Escócia e Inglaterra (0 a 0) disputaram o primeiro confronto internacional na tarde chuvosa de 30 de novembro de 1872. Não havia mais que uma centena de clubes organizados em toda a Grã-Bretanha. De lá para cá, o futebol evoluiu muito. Atualmente, cabe à International Board - órgão que regula as regras - aprovar ou não possíveis mudanças sugeridas.
Nasce a FifaO comerciante holandês Karl Hirschmann pretendia criar uma entidade que pudesse dirigir o futebol mundial. No dia 8 de maio de 1902, Hirschmann sugeriu a idéia ao secretário da The Football Association, Sir Frederick Wall, que não responde à carta. O presidente da Union des Sociétés Françaises de Sports Athlétiques, Robert Guérin, ao contrário, achou interessante e repassou o esboço de Hirschmann para alguns jornais parisienses, que se recusaram a financiar o projeto. Em 1903, Hirschmann e Guérin conseguiram apoio da França, Holanda, Espanha, Suíça, Bélgica, Dinamarca e Suécia.
Representantes dos sete países revolveram fundar a Fifa (Fédération Internationale de Football Association) no dia 21 de maio de 1904 e elegeram o primeiro presidente da entidade: Robert Guérin. O próximo passo seria organizar um campeonato mundial. De 1904 a 1913, a Fifa promoveu um total de onze congressos. Tudo inútil. As propostas ficavam no papel. O mundial exigia elevados investimentos financeiros. Seria uma aventura.
Mas, em 1914, no Congresso da Fifa em Cristiânia - atual Oslo, Noruega - Jules Rimet entrou em cena. Ao entrar na sala de reuniões, ele percebeu o pessimismo dos congressistas, menos do belga Rodolphe Seeldrayers, que confiava na possibilidade de transformar o sonho em realidade.
Até Hirschmann, normalmente otimista, recomendou que fossem adiadas as eventuais decisões. Sugeriu que a Fifa encarasse o futebol dos Jogos Olímpicos como se fosse o próprio mundial. Sugestão acatada. Só que Jules Rimet voltou desapontado. Esperava atitudes mais determinadas da Fifa.
Nos cincos anos seguintes, o mundo se envolveu em uma guerra sangrenta. Jules Rimet aguardou até 1920 para que a Fifa retomasse as reuniões em Antuérpia. Conseguiu que o elegessem presidente da entidade para substituir o inglês Daniel Woolfall. Era uma prova de prestígio pessoal.
O sucesso do torneio de futebol dos Jogos Olímpicos de 1924, em Paris, reforçou os argumentos de Jules Rimet de que o mundial seria financeiramente viável e até daria lucro. Afinal, o profissionalismo já era reconhecido em grande parte da Europa.
O dirigente insistia nos contatos. No Congresso de 1927, em Helsinque, a Fifa discutiu uma proposta oficial para que se criasse a Copa do Mundo, disputada de quatro em quatro anos, em diferentes países. Valeu a persistência de Jules Rimet. O Congresso dos Jogos Olímpicos de 1928, em Amsterdã, fixou o ano e a sede da primeira Copa do Mundo: em 1930, no Uruguai.





