Incorpora o Garrincha
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segunda-feira, 16 de dezembro de 2013
BRUNO QUARESMA [email protected]. 

Preocupado com a cirurgia, Carleto não conseguiu dormir do dia 12 para 13 de junho. Ele foi internado às 5h e, duas horas e meia depois, uma mulher entrou em seu quarto e o surpreendeu. Para reconstruir os ligamentos do joelho direito, o lateral-esquerdo do São Paulo seria submetido a um transplante e receberia enxerto de um cadáver. Procedimento normal em casos assim, mas que fez a tensão aumentar. O bom humor foi a forma encontrada para relaxar.
-A mulher falou que teria de fazer dois enxertos. Eu falei: "Enxerto? Enxerto de quê?" Ela respondeu: "De cadáver". Eu até tentei levar na brincadeira e falei para ela que podia ser o do Garrincha. Seria legal, iria voltar no ataque (risos). Tentei levar na brincadeira, mas aquilo me deixou mais tenso do que eu estava . lembra ele, que agradece ao departamento médico do São Paulo, em que diz sempre confiar.
O procedimento atípico aconteceu porque Carleto lesionou os ligamentos anterior e posterior no jogo contra o Atlético-MG, em 2 de junho. A previsão de retorno era de nove meses, mas ele caminha para voltar a jogar antes. E só o fato de saber que continuará exercendo a profissão já é um alívio para o lateral que sofreu nos primeiros meses.
O campo foi substituído pela cama. De lá, ele não tinha condições nem vontade de levantar para ir ao banheiro ou comer. E o sofrimento aumentou com a situação do time.
Carleto era titular quando se lesionou. Pouco depois, Ney Franco foi demitido, Paulo Autuori não resolveu os problemas da equipe, que ficou na zona de rebaixamento até o início do trabalho de Muricy.
A vontade do lateral era de estar no Morumbi, mas ele nem sequer conseguia ir do quarto para a sala:
-Eu falava para minha esposa me levar para a sala porque a televisão do quarto é muito pequena. Duas vezes eu tive de chamar o porteiro do prédio para me carregar até a sala. Essa fase do São Paulo me deixou muito chateado por não poder ajudar. Eu sofri muito, sofri dentro de casa, sofri calado. E é o pior sofrimento que tem porque você guarda pra você e não consegue soltar.
Assim como o time, o tempo e o trabalho foram curando Carleto. Ele não deixou o grupo de lado.Assistiu a preleções, ficou na concentração e agora trabalha durante as férias para começar os treinos com bola no início de 2014. Ele já corre no campo e se imagina entrando novamente no Morumbi. O sonho deve virar realidade, no máximo, em fevereiro.






