Santos, 22 (AE) - Os santistas protestaram, mas acabaram tendo de aceitar: a partida de amanhã contra o São Paulo será mesmo realizada no Pacaembu. As últimas tentativas para tentar manter o jogo na Vila Belmiro, como determinava a tabela, foram feitas pelo presidente Samir Abdul-Hak junto a Federação, mas o prazo dado pelo presidente da entidade, Eduardo José Farah, terminou ao meio-dia de hoje, sem que a diretoria do clube tivesse condições de abrir mão da cota antecipada de R$ 600 mil.
No final da tarde, Abdul-Hak ligou para o clube informando que Farah havia apresentado "argumentos convincentes e que a mudança era prevista no regulamento". Mesmo assim, achou "falta de respeito" o fato de seu clube não ter sido avisado com antecedência. Quanto ao clássico contra o Corinthians, dia 25 de abril, o presidente informou que o Santos deverá manter seu direito de mando, abrindo mão da cota mínima de R$ 600 mil, para jogar na Vila Bemiro.
Por volta das doze horas, os dirigentes estiveram reunidos no Centro de Treinamento Rei Pelé, na tentativa de encontrar uma solução para o impasse. Por volta das 13 horas, o presidente Samir Abdul-Hak deixou o CT para iniciar os contatos com a Federação. Mas a imagem dos dirigentes ao deixarem a reunião era de derrota.
O técnico Leão confirmou que, recebendo ordem da diretoria, irá ao Pacaembu. "Acato, por justa causa, uma determinação nesse sentido", disse ele, inconformado com a mudança e já preocupado com uma eventual transferência do clássico contra o Corinthians, no mês que vem, previsto inicialmente para a Vila Belmiro. "Desse jeito, será preciso que eles dêem um terreno para o Santos construir um centro de treinamento e um estádio na capital, já que não pode mais jogar aqui".
Leão chegou a responder o comentário feito por Eduardo José Farah, de que, se ele fosse presidente de um clube e o técnico se recusasse a ir para o campo, seria demitido. "Ele tem razão, pois seria uma justa causa, mas ainda bem que ele não é o presidente do Santos".
O vice-presidente José Paulo Fernandes que, como Leão, defendeu a realização do clássico na Vila Belmiro, independente do prejuízo financeiro, esclareceu que, na semana passada apresentou de imediato o protesto quando soube que Farah iria transferir o jogo para o Pacaembu.
"Disse para ele que a torcida do Santos não poderia ser frustrada dessa maneira, pois o jogo já estava marcado para a Vila". Segundo o dirigente, os dois times estavam preparados para jogar em Santos e não havia justificativa para essa mudança.
O JOGO - O técnico Leão define a equipe no coletivo de amanhã à tarde. Ele tem dois problemas para resolver: Claudiomiro teve contratura na coxa esquerda, foi vetado e não jogará. Para sua vaga, a escolha irá recair entre Jean e Valdir.
No ataque, a ausência será de Alessandro, convocado para Seleção.
Nessa posição, as dificuldades serão maiores, já que o treinador informou que irá poupar Lúcio e Aristizábal. Tem Camanducaia, ponteiro de velocidade, mas seu desempenho não tem agradado ao treinador e Rodrigão, centroavante parecido com Viola. É provável que a escolha recaia em Caíco, que jogaria mais avançado.
Apesar desses problemas, Leão está satisfeito com a melhora que está tendo no banco. "Isso é muito importante e estamos tendo um acréscimo de quantidade e qualidade". Segundo ele, "o atleta precisa saber que o Santos não vai jogar só com 11 jogadores", num indicativo de que todos terão oportunidade na equipe.

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