A suspensão das competições em razão da pandemia do coronavírus atingiu em cheio o planejamento técnico e financeiro dos clubes do futebol brasileiro. O impacto, entretanto, é maior para os clubes pequenos e com pouco dinheiro.

Após bom campanha no Paranaense, FC Cascavel quer brigar pelo acesso na série D
Após bom campanha no Paranaense, FC Cascavel quer brigar pelo acesso na série D | Foto: Gustavo Oliveira/Londrina Esporte Clube

A Série D do Campeonato Brasileiro está programada para ter a participação de 68 equipes, entre elas três paranaenses: Nacional, FC Cascavel e Toledo. Mas diante da incerteza do futuro do calendário nacional, a competição já começa a ter as primeiras baixas. O São Caetano (SP) oficializou na CBF o seu pedido de desistência do torneio, em razão de problemas financeiros.

Apesar das dificuldades, os três representantes do Paraná garantem que estarão em campo quando a competição for iniciada. Pelo planejamento original, a Série D começaria no dia 2 de maio, mas não há prazo para a largada.

NACIONAL

O Nacional já havia iniciado os treinamentos para a Série D e também a Divisão de Acesso do Paranaense quando o calendário foi suspenso. De acordo com o presidente do clube de Rolândia, José Danilson de Oliveira, apesar de todas as dificuldades de orçamento a equipe continua pagando os salários do elenco.

“Temos uns 15 jogadores registrados, sendo dez remanescentes do ano passado. Só liberamos aqueles atletas que estavam treinando, mas ainda não haviam sido registrados. E voltaremos a conversar com estes jogadores assim que tivermos uma definição”, afirmou o dirigente. A folha salarial do Nacional é de R$ 30 mil.

O NAC garantiu vaga na Série D após conquistar o título da Taça FPF sub-23 no ano passado. Rafael Andrade, técnico campeão em 2019, também foi mantido para esta temporada. José Danilson revelou que o clube hoje está sem patrocinadores e parceiros e, por isso, a ajuda da CBF chegou em boa hora.

A CBF anunciou um montante de R$ 120 mil para cada um dos 68 clubes que vão jogar a Série D. “Até esperávamos uma ajuda maior, porque o prejuízo é grande. Mas é um dinheiro muito bem-vindo e antes isso do que nada”, frisou.

CASCAVEL

Segundo melhor time da fase classificatória do Campeonato Paranaense, o FC Cascavel quer manter o planejamento para a temporada e brigar pelo acesso para a Série C. Praticamente todo o elenco do Estadual e também o técnico Marcelo Caranhato têm contrato até o final do ano.

“A nossa meta é fazer uma Série D muito boa, assim como estamos fazendo no Paranaense. Não vamos fazer loucuras, seguir o nosso orçamento, mas vamos em busca do acesso”, comentou o presidente da equipe do Oeste, Valdinei Silva.

Com um orçamento total de R$ 4 milhões para a temporada, o clube acabou perdendo alguns patrocinadores durante a paralisação das competições e isso vai exigir uma readequação na folha de pagamento.

“Apesar de termos um clube estruturado e sem dívidas, não somos uma ilha. Os impactos financeiros serão para todos e quando tivermos a definição do calendário, vamos negociar com os jogadores e a comissão técnica para reavaliarmos os salários”, ressaltou Silva, que afirmou que os R$ 120 mil da CBF já foram repassados ao clube.

TOLEDO

Vice-campeão paranaense em 2019, posição que lhe garantiu a vaga na Série D, o Toledo fez um Estadual muito ruim este ano. Foi apenas o 10º colocado e escapou do rebaixamento nas últimas rodadas. O presidente Carlos Dulaba afirmou que o clube aguarda o posicionamento da CBF para definir o futuro do clube.

"Vamos esperar a definição do calendário, se a fórmula será mantida, se os jogos serão com portões fechados. São decisões que vão impactar diretamente na decisão. Hoje, o Toledo disputa a Série D, no mínimo com sua base", declarou.

REGULAMENTO

O Brasileiro da Série D terá 68 equipes, divididas em oito grupos na primeira fase. Os quatro melhores avançam para o mata-mata e os quatro primeiros colocados sobem para a Série C. Os três clubes paranaenses estão no Grupo A-7, ao lado dos paulistas Ferroviária e Mirassol e dos representantes do Rio de Janeiro: Bangu, Cabofriense e Portuguesa.

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