Incerteza ronda Emerson e Zé Roberto
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domingo, 25 de junho de 2006
Mateus Silva Alves<br>Agência O Globo 
Bergisch Gladbach, Alemanha - A dupla de volantes que começou a Copa do Mundo como titular da seleção brasileira tem muita bagagem no futebol. Emerson e Zé Roberto já entraram na terceira década de vida, acumularam anos de experiência profissional na Europa e têm uma Copa do Mundo no currículo, a de 1998. Só que, apesar de tanta vivência, os dois estão inseguros. São seres humanos, afinal.
A insegurança de Emerson e Zé Roberto ocorre por culpa de Carlos Alberto Parreira. O treinador da seleção brasileira ainda não decidiu que equipe colocará em campo amanhã para enfrentar Gana, em Dortmund, pelas oitavas-de-final da Copa da Alemanha. Ou, se decidiu, não contou para os jogadores. Resultado: Emerson e Zé Roberto, que ficaram fora do duelo contra o Japão, em que Parreira fez vários testes na escalação, temem não voltar ao time titular do Brasil.
Emerson não esconde que tem vivido dias mais tensos do que o normal. Ele não pensa em outra coisa que não seja seu retorno à equipe, mas sabe que pode perder a posição para Gilberto Silva. O volante do Arsenal jogou contra o Japão e foi muito bem.
É claro que isso (a incerteza sobre quem jogará) muda nossa rotina. Se eu disser que não muda, estarei mentindo. Todo mundo preferia já saber quem vai jogar, afirmou Emerson.
E continua: Até as pequenas coisas fazem diferença. Quando eu sei que vou jogar, fico imaginando como será o jogo, fazendo planos. Até a alimentação é diferente. Se eu sei que vou jogar, tenho de comer menos. Se vou para o banco, preciso comer mais para não ficar com fome durante a partida, contou o volante.
A mesma angústia vive Zé Roberto, substituído por Juninho Pernambucano no jogo contra o Japão. Juninho, jogador muito querido pela torcida e pela imprensa do Brasil, até gol marcou naquela partida. E Zé agora se sente ameaçado.
Existe uma certa apreensão porque todo mundo quer jogar. Seria melhor já saber quem vai jogar, assim todos ficariam mais à vontade. Só que essa é uma decisão do treinador e nós precisamos respeitá-la. Se ele acha que é melhor decidir no dia do jogo, temos de aceitar isso, explica o jogador do Bayern de Munique, usando um discurso bem parecido com o de Emerson.
De todos os 23 jogadores da seleção brasileira, nenhum tem se mostrado mais incomodado com o clima de incerteza do que Adriano. Muito ameaçado de perder seu lugar no time para Robinho, o que só não acontecerá se o ex-santista for vetado por causa de uma lesão muscular, o Imperador tem andado de cara fechada e até deixou de dar entrevistas nos últimos dias, claro sintoma de que seu humor não é dos melhores.
Embora digam que o comportamento de Adriano no vestiário é o mesmo de sempre, seus companheiros sabem que ele não passa por um bom momento.
De repente, isso pode estar acontecendo porque o Adriano está acostumado a ser titular em todos os times em que joga. Aqui ele está vivendo uma situação diferente. Cada um reage de um jeito e, às vezes, alguns se deixam abater, opinou Zé Roberto.


