Incerteza marca apresentação do Santos
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 09 de junho de 1999
Por José Rodrigues
FOLHA no Google News
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quarta-feira, 09 de junho de 1999
Por José Rodrigues
Santos, 10 (AE) - Os jogadores do Santos reapresentam-se amanhã num clima de incerteza quanto ao futuro. É que muitas alterações deverão ocorrer nos próximos dias, com a renovação do elenco, que pode ser a mais radical dos últimos anos. As mudanças começarão a partir da definição da permanência do técnico Leão à frente da equipe. A diretoria está sendo pressionada para trocar de treinador para o Brasileiro e até concorda em fazer a mudança, mas não está disposta a desembolsar o valor da multa rescisória, estimada em R$ 1,2 milhão.
Leão e a diretoria já manifestaram que pretendem levar o contrato até o fim, mas a convivência está ficando cada vez mais difícil. O pior momento ocorreu durante a disputa do Paulista, quando Eduardo José Farah resolveu transferir os clássicos do Santos para a capital. O treinador revoltou-se e chegou a entrar em rota de colisão com o presidente Samir Abdul-Hak. O Rei Pelé saiu na defesa de Abdul-Hak, encerrando a crise.
O treinador ocupou também todos os espaços possíveis no clube e conseguiu a demissão de vários membros da comissão técnica montada por Luxemburgo e até mesmo a de Marco Aurélio Cunha, o gerente de futebol.
Com seu estilo autoritário, Leão nunca deixou de criticar a atuação dos dirigentes - considerada lenta - nas negociações com jogadores. Também o elenco deu sinais de saturação, principalmente a partir da chegada de Paulo Rink para disputar a semifinal.
REUNIÃO - Todos esses problemas começam a ser discutidos numa reunião da diretoria, que não terá a presença do presidente Samir Abdul-Hak, para a avaliação da campanha e planejamento do trabalho a ser desenvolvido no segundo semestre. A desclassificação não estava nos planos do clube. "Estou desiludido, pois o resultado não foi o esperado, apesar de todos os pedidos do treinador terem sido atendidos", disse o presidente Samir Abdul-Hak.
Dessas conversas, serão iniciados os contatos para a aquisição e venda de jogadores. O Santos espera levantar um bom dinheiro na transação de alguns de seus melhores jogadores, como Marcos Assunção e Alessandro, para compensar os prejuízos que teve com a desclassificação, calculados por Abdul-Hak em R$ 6 milhões. É provável também que, com Pelé bem mais próximo da Vila Belmiro, o clube retome a política de redução de custos, evitando uma equipe cara como a que tem hoje, com jogadores do nível salarial de Viola e do próprio técnico Leão.
O presidente santista informou que a contusão de Argel não prejudicou a transação do zagueiro com o FC Porto. "O contrato já está assinado e se houvesse um problema mais grave, a situação poderia ser revista", disse Abdul-Hak hoje à tarde, pouco depois de conversar com o jogador, que teve alta hospitalar hoje. "Ele está muito animado", comentou.
Quanto aos demais jogadores, informou que terá tempo para negociar e admitiu que o Celta fez a proposta de US$ 4 milhões pelo volante Marcos Assunção, mas ela foi rejeitada por estar abaixo do valor de mercado.