Inauguração de Vila Olímpica vira palanque para políticos
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domingo, 24 de janeiro de 2010
Bruno Lousada<br> Agência Estado 
Rio - A Vila Olímpica de Mato Alto, em Jacarepaguá (zona oeste do Rio de Janeiro), está em construção desde 2002. A obra, que já esbarrou em questões ambientais, agora se depara com outro obstáculo para sua inauguração: depende de uma lacuna na agenda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A previsão é de que o local seja aberto amanhã sem estar totalmente pronto. Falta erguer um ginásio poliesportivo. ''Mas, se ele (Lula) não puder na segunda, pois a agenda dele está cheia, vamos esperar que volte ao Rio para inaugurar'', disse o secretário municipal de Esportes do Rio, Chiquinho da Mangueira.
Enquanto isso, várias crianças e atletas revelações como Bárbara Leôncio, usada como garota-propaganda na bem-sucedida campanha do Rio pelos Jogos de 2016, permanecem à espera de um lugar apropriado para treinar. Com investimento público de R$ 7,1 milhões, a Vila Olímpica já nasce deficiente: não há sala de musculação, embora ofereça três piscinas, dois vestiários, três quadras poliesportivas, um salão de dança e uma sala de artes marciais.
''Ouviram engenheiros, arquitetos, menos os professores de Educação Física. Não existe sala de musculação, que é tudo para o atleta. Sem desenvolver força, o atleta não vai a lugar nenhum. Um complexo esportivo precisa ter tudo'', reclamou Paulo Servo, treinador de jovens do instituto Lançar-se Para o Futuro, entre eles Bárbara, que treinam na vila antes mesmo da inauguração. O técnico diz que a musculação é fundamental para os atletas passarem por um ano cheio de competições. ''Na base (período inicial da preparação, entre setembro e janeiro), eles não dão nem sequer um tiro (corrida). Só fazem exercícios para aguentar a temporada''.
Os alunos correm na vila, numa pista de atletismo que ficou pronta em 2007, sem o cuidado adequado e com rachaduras. Em julho, um parecer da Comissão de Esportes da Câmara de Vereadores determinou o fechamento do local por falta de segurança - era um canteiro de obras. O problema, agora, é outro: ''Falei sobre a necessidade de uma sala de musculação com os arquitetos e os engenheiros e eles disseram: 'Ih professor, é mesmo...' Vou sugerir isso ao prefeito (Eduardo Paes). Espaço para isso tem''.
Na última semana, a equipe não treinou. Não por preguiça ou férias. Simplesmente porque não podia usar a vila, que passava por retoques para a abertura oficial. Tudo tem de estar perfeito para as autoridades brindarem mais uma obra inaugurada. ''Na hora em que o povo tiver acesso à iniciação esportiva, vamos brigar por mais medalhas'', argumentou Servo, convicto de que seu trabalho pode contribuir para isso. (Colaboraram Amanda Romanelli e Fábio Vendrame)


