Frankfurt, 27 (AE) - O dia seguinte do vexame da Ferrari no Grande Prêmio da Europa de Fórmula 1, domingo, em Nurburgring
na Alemanha, foi ainda mais desgastante que os momentos que se seguiram à prova no autódromo. A imprensa italiana ridicularizou o desempenho da equipe. "Ferrari, um caos", publica em manchete o "Corriere della Sera", jornal diário pertencente à Fiat, proprietária da Ferrari. Luca di Montezemolo, presidente da escuderia, reuniu hoje a cúpula do time e ameaçou: "Isso não pode e nunca mais acontecerá."
A imagem do mecânico de Eddie Irvine, correndo para dentro do box, a fim de procurar o pneu correto para instalá-lo no carro, foi qualificada como "patética" pela imprensa da Itália. O norte-irlandês parou para substituir os pneus de pista molhada pelos de asfalto seco, já que a chuva havia parado. Mas o traseiro direito destinado a sua Ferrari ainda era para piso molhado. Quando percebeu o equívoco, o mecânico, apavorado, entrou novamente no box e ficou lá até encontrar o pneu certo. Só nessa trapalhada o piloto perdeu cerca de 20 segundos a mais do que o normal.
A Ferrari não marcou nenhum ponto no GP da Europa. Enquanto Montezemolo dava o chamado "pito" na equipe, em Maranello, os italianos liam o que os jornais publicaram. "A loucura chega à Ferrari", traz a "Gazzetta dello Sport", também do grupo Fiat. "Ferrari, uma vergonha" é a manchete do "La Reppublica", de Roma. "Sem Schummy a Ferrari é incapaz como uma marionete", o título de primeira página do "La Stampa", de Turim, reflete que, resignados, os italianos reconhecem a importância de Michael Schumacher para a Ferrari.
Foram duas horas e meia de reunião, com a presença de Rory Byrne, projetista-chefe da Ferrari, Ross Brawn, diretor-técnico, e Jean Todt, diretor-esportivo, além do todo o segundo escalão. "Todos entenderam que não podemos nos desesperar dessa maneira", afirmou Montezemolo. "A torcida tem toda a razão ao nos criticar", disse. "Deixei claro ao nosso grupo que não tolerarei mais erros como esse." Schumacher também foi abordado pelo presidente: "Este não é um time completamente voltado para Michael, mas sem ele Eddie perdeu algumas referências."
Depois lembrou que Salo é um bom profissional, mas que em ocasiões de clima variáveis como as de domingo, "Schumacher é a melhor pessoa para uma equipe." Hoje os comentários na Europa eram de que o piloto alemão talvez não faça mais o teste programado para dia 7 de outubro, em Fiorano, o que deixa mais dúvidas quanto a sua presença na próxima etapa do Mundial, dia 17 em Kuala Lumpur, na Malásia.
Diniz - O piloto da Sauber passou o dia de hoje em Mônaco, onde reside, recuperando-se do terrível acidente sofrido na largada do GP da Europa. "Estou bem, sinto apenas algumas dores na região do pescoço", contou. Segundo Pedro Paulo Diniz, os técnicos da equipe irão modificar o modelo C18 já para os testes dos dias 6 e 7 em Barcelona. "Temos de evitar que em situações semelhantes o santantônio se rompa como no meu caso." Quando capotou, domingo, a barra anticapotagem, localizada acima e pouco atrás do seu capacete, não suportou a pancada no solo e expôs a sua cabeça para receber o peso do veículo com as rodas para cima.
Apenas por muita sorte ele acabou não se ferindo com gravidade. Diniz comentou também que a associação da sua classe, a Grand Prix Drivers Association (GPDA), encaminhará à Federação Internacional de Automobilismo (FIA), um solicitação para aumentar a resistência do santantônio, que na Fórmula 1 é chamado de roll bar.
A matemática do título - É fácil compreender como o campeonato pode acabar no circuito de Sepang, em Kuala Lumpur, na Malásia, dia 17, ou se transferir para a última etapa da temporada, dia 31 em Suzuka, no Japão. Salvo grande surpresa, o título ficará ou com Mika Hakkinen, da McLaren, ou Eddie Irvine, da Ferrari, primeiro e segundo colocados na classificação. O finlandês, atual campeão do mundo, tem 62 pontos, diante de 60 de Irvine. Como Heinz-Harald Frentzen, da Jordan, terceiro colocado, e David Coulthard, McLaren, quarto, não pontuaram em Nurburgring, ficou agora bem difícil para os dois superarem Hakkinen ou Irvine.
Frentzen possui os mesmos 50 pontos e Coulthard, 48. Apenas Hakkinen pode definir a conquista na Malásia, e, ainda assim, dependendo do resultado de Irvine. Já o piloto da Ferrari não tem como na próxima corrida comemorar seu primeiro título, mesmo que vença e Hakkinen não chegue entre os seis primeiros, os que marcam pontos na Fórmula 1. Para Hakkinen ser campeão ele tem de necessariamente vencer a prova de Kuala Lumpur. Qualquer outra colocação do piloto da McLaren adia a decisão. Mas não é tudo: Hakkinen tem de chegar em primeiro e Irvine não pode terminar a prova em segundo, terceiro ou quarto lugar.
A matemática desses arranjos desloca a definição para o GP do Japão. Por que Hakkinen vencendo e Irvine se classificando em quinto na Malásia o título fica com o finlandês? Como Hakkinen tem hoje 62 pontos, atingiria 72 com os 10 da primeira colocação em Kuala Lumpur. Já Irvine, que agora soma 60 pontos, chegaria a 62 com os dois pontos do quinto lugar. Haveria 10 pontos de diferença entre ambos. Mas e se Irvine ganhar no Japão e Hakkinen não marcar pontos, a competição não ficaria igual novamente, os dois pilotos com 72 pontos? Procede.
Só que, nesse caso, a FIA recorreria ao primeiro critério de desempate: número de vitórias. E o finlandês venceria, por já ter concluído em primeiro os GPs do Brasil, Espanha, Canadá, Hungria e, nessa hipótese, Malásia. Portanto, seriam cinco vitórias. Já Irvine ganhou na Austrália, áustria, Alemanha e, de novo, nesse exemplo, Japão: apenas quatro vezes. Hakkinen seria bicampeão por ter uma primeira colocação a mais.

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