Para a imprensa esportiva argentina, a França obteve de forma brilhante o título de campeã mundial. Os comentaristas esportivos foram unânimes em destacar Zinedine Zidane como a figura da partida e do Mundial, e Ronaldo como o exemplo do péssimo jogo brasileiro, que ‘‘não foi digno de uma final mundial’’.
‘‘França arrasou o Brasil e venceu o Mundial. Zidane foi a figura da final; os festejos foram um exemplo: não houve invasão de campo e as pessoas mostraram grande entusiasmo nas ruas’’, diz na primeira página o jornal La Nación. No suplemento esportivo, intitulou ‘‘Com sabor francês’’ e comentou que a ‘‘França jogou a partida de sua vida e ficou com a Copa’’.
Clarín abriu a edição afirmando que a ‘‘França teve a festa que merecia’’. Destacou também que a França ‘‘entrou na elite dos campeões do mundo. Foi um 3 a 0 categórico diante de um Brasil sem alma e sem futebol. Os franceses controlaram todo o tempo seus adversários e poderiam ganhar por diferença maior. Zidane foi a grande figura e fez dois gols. Ronaldo decepcionou, como todos os seus companheiros’’.
O jornal esportivo Olé abriu sua edição com um irônico ‘‘Que penta! (com o n marcado com uma cruz) França campe㒒. Destacou que o ‘‘Brasil acreditava ser o campeão, mas a França o matou: 3 a 0 com dois de Zidane e um de Petit. Assim o Brasil ficou sem o quinto título e, além de tudo, terá que jogar com a Argentina nas eliminatórias para 2002’’.
Perfil destacou por sua vez que ‘‘Zidane comandou a revolução francesa: fez dois gols, humilhou o Brasil e ofuscou Ronaldo’’. Página/12 disse que a ‘‘França demoliu o Brasil e ficou com a Copa’’. Destacou que entre as dez razões de a França ter sido campeã do mundo destacam-se ‘‘a solidariedade de seus jogadores, a coragem, algo de futebol, Zidane’’ e ‘‘um rival irreconhecível na última partida’’. Finalmente, o popular Crónica intitulou ‘‘Chora Brasil’’, destacando que ‘‘em soberba atuação, a França (que terminou com 10) venceu por 3 a 0 e ficou com o título; a festa chegou até Buenos Aires’’.
Fim do mito - De um modo geral, toda a imprensa européia se derreteu ontem em elogios à conquista francesa. Bulgária, Bélgica, Iugoslávia, Alemanha, Inglaterra, Itália, Escócia e todos os demais países do Velho Continente arranjaram os mais portentosos adjetivos para exaltar a França, que, segundo a cobertura, em termos gerais, ‘‘acabou de vez com o mito brasileiro futebolístico’’.
Mas a exaltação à glória francesa não se limitou ao círculo destes países. A imprensa argelina deixou por momentos de lado as notícias da eterna violência do país para acompanhar o eco tricolor. Festejou particularmente o ‘‘rei’’ Zidane, jogador francês de origem argelina, autor de dois dos três gols que deram a vitória à França.
Até na China - Mesmo os chineses, que não são lá muito chegados ao futebol, aclamaram a vitória da Seleção Francesa. Além dos jornais, ontem, mais de mil pessoas se concentraram em Pequim na sede da televisão nacional, em frente a telões que apresentavam ao vivo o jogo Brasil x França a partir das 3 horas (locais) da madrugada. E mais tarde, uma orquestra de jazz animou os participantes em uma festa mundialista num auditório especialmente montado para a Copa do Mundo.
Israel - Os dois principais jornais israelenses, o Yediot Aharonot e o Maariv, coincidiram no mesmo título para celebrar ‘‘A revolução francesa’’.
‘‘Eu parabenizo a França por esta vitória particularmente impressionante e apresento minhas condolências ao Brasil’’, declarou à rádio estatal o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu.
Quanto aos palestinos, se reuniram às centenas vestindo trajes com as cores da bandeira francesa, desfilando a pé ou em carros em Jerusalém Leste, Ramallah e em vários campos de refugiados da Cisjordânia e Faixa de Gaza. O brasileiro João Havelange, agora ex-presidente da Fifa, tinha dito numa recente entrevista que sua maior frustração foi não ter conseguido reunir numa partida israelenses e palestinos.

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