Imprensa exalta façanha merecida de Zidane Cia
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segunda-feira, 13 de julho de 1998
France Presse 
Para a imprensa esportiva argentina, a França obteve de forma brilhante o título de campeã mundial. Os comentaristas esportivos foram unânimes em destacar Zinedine Zidane como a figura da partida e do Mundial, e Ronaldo como o exemplo do péssimo jogo brasileiro, que não foi digno de uma final mundial.
França arrasou o Brasil e venceu o Mundial. Zidane foi a figura da final; os festejos foram um exemplo: não houve invasão de campo e as pessoas mostraram grande entusiasmo nas ruas, diz na primeira página o jornal La Nación. No suplemento esportivo, intitulou Com sabor francês e comentou que a França jogou a partida de sua vida e ficou com a Copa.
Clarín abriu a edição afirmando que a França teve a festa que merecia. Destacou também que a França entrou na elite dos campeões do mundo. Foi um 3 a 0 categórico diante de um Brasil sem alma e sem futebol. Os franceses controlaram todo o tempo seus adversários e poderiam ganhar por diferença maior. Zidane foi a grande figura e fez dois gols. Ronaldo decepcionou, como todos os seus companheiros.
O jornal esportivo Olé abriu sua edição com um irônico Que penta! (com o n marcado com uma cruz) França campeã. Destacou que o Brasil acreditava ser o campeão, mas a França o matou: 3 a 0 com dois de Zidane e um de Petit. Assim o Brasil ficou sem o quinto título e, além de tudo, terá que jogar com a Argentina nas eliminatórias para 2002.
Perfil destacou por sua vez que Zidane comandou a revolução francesa: fez dois gols, humilhou o Brasil e ofuscou Ronaldo. Página/12 disse que a França demoliu o Brasil e ficou com a Copa. Destacou que entre as dez razões de a França ter sido campeã do mundo destacam-se a solidariedade de seus jogadores, a coragem, algo de futebol, Zidane e um rival irreconhecível na última partida. Finalmente, o popular Crónica intitulou Chora Brasil, destacando que em soberba atuação, a França (que terminou com 10) venceu por 3 a 0 e ficou com o título; a festa chegou até Buenos Aires.
Fim do mito - De um modo geral, toda a imprensa européia se derreteu ontem em elogios à conquista francesa. Bulgária, Bélgica, Iugoslávia, Alemanha, Inglaterra, Itália, Escócia e todos os demais países do Velho Continente arranjaram os mais portentosos adjetivos para exaltar a França, que, segundo a cobertura, em termos gerais, acabou de vez com o mito brasileiro futebolístico.
Mas a exaltação à glória francesa não se limitou ao círculo destes países. A imprensa argelina deixou por momentos de lado as notícias da eterna violência do país para acompanhar o eco tricolor. Festejou particularmente o rei Zidane, jogador francês de origem argelina, autor de dois dos três gols que deram a vitória à França.
Até na China - Mesmo os chineses, que não são lá muito chegados ao futebol, aclamaram a vitória da Seleção Francesa. Além dos jornais, ontem, mais de mil pessoas se concentraram em Pequim na sede da televisão nacional, em frente a telões que apresentavam ao vivo o jogo Brasil x França a partir das 3 horas (locais) da madrugada. E mais tarde, uma orquestra de jazz animou os participantes em uma festa mundialista num auditório especialmente montado para a Copa do Mundo.
Israel - Os dois principais jornais israelenses, o Yediot Aharonot e o Maariv, coincidiram no mesmo título para celebrar A revolução francesa.
Eu parabenizo a França por esta vitória particularmente impressionante e apresento minhas condolências ao Brasil, declarou à rádio estatal o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu.
Quanto aos palestinos, se reuniram às centenas vestindo trajes com as cores da bandeira francesa, desfilando a pé ou em carros em Jerusalém Leste, Ramallah e em vários campos de refugiados da Cisjordânia e Faixa de Gaza. O brasileiro João Havelange, agora ex-presidente da Fifa, tinha dito numa recente entrevista que sua maior frustração foi não ter conseguido reunir numa partida israelenses e palestinos.


