Mesmo os jornais europeus mais tradicionais, como o italiano La Repubblica, onde o esporte raramente é destacado em primeira página, dedicaram grande espaço à vitória de Rubens Barrichello na Alemanha. Sua foto chorando no pódio marcou a conquista e foi a escolhida por quase todas as publicações. ‘‘Rubens alla Senna’’ é o título da Gazzetta dello Sport, esportivo da Itália.
Todas as críticas desferidas a Rubinho ao longo de seus sete anos de Fórmula 1 foram esquecidas pela imprensa européia. Todas as reportagens enaltecem – com vários adjetivos, o que não é muito comum nessa mídia – o trabalho do brasileiro em Hockenheim.
O L’Équipe publica um gráfico de dimensões generosas a fim de explicar a trajetória do 18º lugar no grid à primeira colocação no pódio. ‘‘A la mémorie de Senna’’ é o título do texto. As críticas de Jacques Villeneuve a Ricardo Zonta, pelo toque recebido na prova, também são abordadas pelo diário francês. O piloto do Canadá qualifica como ‘‘estúpida’’ a ação de Zonta.
A Gazzetta dello Sport também destaca a ‘‘incredibile’’ recuperação de Rubinho, e Pino Allievi escreve que o brasileiro salvou Michael Schumacher e a Ferrari. ‘‘Una vittoria di famiglia’’ abre uma das seis páginas da cobertura. ‘‘Tutti alla Ferrari vogliono bene a Barrichello, conquista per simpatia’’ descreve Mario Vicentini.
A reportagem mostra a vontade de todos na equipe desejarem ser fotografados ao lado de Rubinho e traz frases de integrantes falando de seu carinho pelo brasileiro. ‘‘Ele faz com que todos gostem dele, mas essa vitória tem muito da sua capacidade’’, declara Giacomo Debbia.
O ‘‘Bild’’ alemão não tem uma foto de Rubinho na capa. Ele registra o momento em que Giancarlo Fisichella bate na traseira da Ferrari de Michael Schumacher. ‘‘Formel Gnadenlos’’, que poderia ser traduzido por ‘‘Fórmula sem piedade’’. Uma sequência de fotos questiona se o culpado pelo segundo abandono seguido de Schumacher, ainda na largada, não teria sido David Coulthard.
Na Gazzetta, o tema também recebe tratamento importante, mas o jornal, além de citar ‘‘mais uma largada ruim do alemão’’, destina uma frase de Flavio Briatore, da Benetton, para colocar sob o título: ‘‘Schumacher é o mesmo arrogante de sempre’’.
Rubinho e a revelação inglesa Jenson Button, quarto na corrida mas que largou em último, merecem todos os elogios do jornalista Derick Allsop: ‘‘Uma vitória carregada de emoção’’. Outra publicação inglesa, o The Times, tem na capa do caderno de esportes ‘‘Schumacher takes turn for the worse (Schumacher caminha para o pior)’’, mas a página 2 é dedicada ao sucesso de Rubinho. Uma série de desenhos mostra o traçado em ziguezague de Schumacher na largada. O piloto alemão reclamou, quinta-feira em Hockenheim, de perseguição da imprensa inglesa.

mockup