Buenos Aires - O domingo foi de lamentações, críticas e um quase luto na Argentina. A eliminação da seleção anfitriã da Copa América trouxe à tona toda decepção dos hermanos com os rumos que toma o futebol do país e sobrou e muito para o técnico Sérgio Batista, questionado desde que assumiu a Albiceleste. Os jornais argentinos não pouparam adjetivos para resumir a dor de ficar mais um torneio na fila, principalmente jogando em casa.
O diário esportivo Olé pegou pesado. Usou o apelido do treinador, Checho, para manchetar que o sonho argentina havia dado em nada. ''Chechos pelota siamo fora otra vez'', estampou. ''Assim não dá mais. Sem coração, sem defessa, sem uma ideia tática em 11 contra 10 por 48 minutos, sem respaldo ao futebol de Messi, Uruguai nos deixou fora. Basta de improvisação!'', continuou o jornal em sua capa. O Olé trouxe 20 páginas sobre a eliminação da Argentina. Em um dos textos, o jornal disse que a Argentina não para de perder prestígio.
O único poupado, por incrível que possa parecer, foi Messi. Muito criticado como sempre, ele teve uma grande atuação contra os uruguaios, mas não foi suficiente para evitar a eliminação. A maioria dos veículos de comunicação afirmou que o melhor do mundo é único que se salva.
A Argentina parou no sábado à noite para ver a partida. As ruas de Buenos Aires estavam vazias, os bares lotados. Todos confiantes na classificação. A FOLHA acompanhou ao jogo em um tradicional bar do bairro da Recoleta e viu de perto o drama de mais uma decepção dos hermanos. O início do jogo era de empolgação e esperança. Porém, o volante Diego Perez tratou de estragar a festa ao abir o placar logo aos 5 minutos.
A Argentina não demorou para empatar. Aos 17, Messi cruzou com perfeição para Higuaín empatar de cabeça. A partir daí a anfitriã passou a massacrar o Uruguai, que se defendia e batia. Perez, autor do gol, foi expulso aos 37 minutos.
A virada argentina parecia questão de minutos. Mas veio o segundo tempo e o jogo foi ganhando ares dramáticos, principalmente porque a Argentina piorou e o Uruguai entrou no jogo. Mas foi um argentino quem se destacou mais. E não foi Messi. Foi o goleiro Muslera, nascido em Buenos Aires, mas filhos de uruguaios. Com uma atuação impressionante, ele fechou o gol e conseguiu levar a partida para os pênaltis. Por ironia do destino, o jogador do povo, exaltado quando entrou em campo no final do segundo tempo, foi quem falhou. Muslera defendeu a cobrança de Tevez e garantiu a classificação uruguaia por 5 a 4 nas penalidades, no dia do aniversário do Maracanazo. No Cemitério dos Elefantes, um gigante ficou pelo caminho nesta Copa América. (T.M.)

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