Importante é a festa, a confraternização
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domingo, 19 de maio de 2002
Reportagem Local 
O meninas não entram das histórias em quadrinhos poderia ser o lema dos inúmeros grupos fechados, formados só por homens, naturalmente, que se reúnem uma ou duas vezes por semana para jogar futebol suíço. Na verdade, jogar é o mote, a desculpa, a justificativa. O real motivo é o congraçamento, o colóquio gostoso, amistoso, que a gente tem, esclarece o advogado Abelardo Macedo, sócio-fundador de um desses grupos, o Retiro dos Centuriões.
Quem estranhar o nome, deve se preparar para outros, ainda mais instigantes, como Casa do Cici, Bola Preta ou Galo da Madrugada, e para se surpreender com a idade desses esportistas cheios de ânimo e fôlego, que varia de pouco menos de 40 a mais de 70 anos. Cici ou Orency Garcia de Moraes, por exemplo, tem 72 anos e é um dos mais animados do grupo de 40 pessoas, reunidas semanalmente no espaço que leva seu nome. Os encontros, sempre às quintas-feiras, no fim da tarde, são considerados sagrados. Com chuva ou sem chuva, explica Cici, não deixamos de vir. Torcemos para que ninguém morra na quinta-feira, brinca Gilson Frazão, outro dos sócios, para não ter de ir ao velório e deixar de comparecer ao jogo.
Além de esporte e do papo agradável, outro atrativo indispensável dessas reuniões é o rango, como comenta Abelardo, dos Centuriões. Aliás, vale esclarecer que o nome escolhido pelo grupo remonta aos tempos de Roma antiga e valoriza, na atualidade, a condição de guerreiros na luta da vida de seus integrantes. Talvez porque a luta seja mesmo renhida, esses guerreiros nunca dispensam uma boa alimentação. Às quartas, depois do futebol, a noite fica reservada para o churrasco ou para um jantar especial. Aos domingos, como o atleta tem de estar bem alimentado, conforme defende Abelardo, tudo começa, antes do jogo, com um café da manhã, que pode chegar ao nível 5 estrelas, dependendo da generosidade do sócio responsável pelo rango daquele dia.
Na Casa do Cici também tem churrasco e beliscos diversos às quintas. Depois de 60 minutos de futebol, conta Nadinho, o sócio encarregado dos disputados sorteios de escalação dos times, são horas de comida e bebida. Será que assim mesmo dá para suar a camisa? Abelardo, dos Centuriões garante que sim. Cita, como exemplo, o sócio Agenor Carvalho, que não só joga bola, como faz muito gol, isso aos 73 anos de idade. De qualquer forma, o que se sabe, em se tratando de futebol suíço entre veteranos é que o jogo nunca acaba zero a zero e o placar é sempre dilatado. (Ana Setti)


