Implicância de técnico é coisa antiga
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quarta-feira, 30 de janeiro de 2002
Agência Estado 
São Paulo - Felipão não chama Romário e sofre pressão popular de Goiânia a Caxias, de São Paulo a Manaus. A atitude do treinador da seleção é polêmica, mas não inédita. Alguns de seus antecessores também marcaram passagem pelo comando da equipe nacional com decisões que deram margem a longas discussões e entraram para o folclore do futebol.
João Saldanha afirmou, em 1969, que Pelé estava míope, e ensaiou mandar o Rei do Futebol para a reserva. Gesto que Zagallo teve a ousadia de assumir em abril de 70, no amistoso contra a Bulgária (0 a 0), no Morumbi, pouco antes do embarque para a aventura do tricampeonato Mundial, no México.
O capitão Cláudio Coutinho ouviu tudo a que tinha direito, ao deslocar o quarto-zagueiro Edinho para a lateral-esquerda nos primeiros jogos do Mundial de 78, na Argentina. A dupla de zaga ficou formada por Oscar e Amaral. O falecido treinador foi induzido a mudar a proposta na terceira partida, contra a Áustria, quando enfim escalou Rodrigues Neto no lado esquerdo da defesa. Edinho virou apenas opção, mas ainda foi à Espanha em 82 e jogou como titular em 86 no México.
Nem Telê Santana escapou. Embora houvesse consenso em torno da equipe que armou para a Copa de 82, recebeu muitas críticas por ter abandonado Emerson Leão, titular nos dois Mundiais anteriores e ainda em grande forma. Preferiu Valdir Peres como número 1, além de Carlos e Paulo Sérgio como alternativas. O mestre também ficou de orelha quente porque a seleção não tinha pontas.
Sebastião Lazaroni foi execrado em 90 ao apostar suas fichas em Dunga, que se tornou o símbolo da frustrada campanha na Itália. A recuperação do volante demorou quatro anos, e atingiu o auge quando levantou a Taça da Fifa, nos Estados Unidos, como capitão do time tetracampeão do mundo. Dunga esteve perto de repetir o gesto em 98, na Copa da França.


