Que o esporte de rendimento em Londrina é bancado por dinheiro público, isso é fato. Seja via Fundação de Esportes de Londrina (FEL), seja via Sercomtel, o dinheiro que banca as modalidades na cidade sai, em sua esmagadora maioria, dos cofres municipais. Seja qual for a modalidade, o nome vem sempre acompanhado de Sercomtel/FEL. E é justamente essa dependência do numerário do contribuinte que está travando o planejamento das equipes para 2010. Isso porque hoje é o último dia do ano e só agora a FEL publicou o edital do Fundo Especial de Incentivos a Projetos Esportivos (Feipe) para 2010.
O prazo para que as associações apresentem seus projetos vai até às 18 horas do dia 1º de fevereiro. Depois disso, os envelopes serão abertos e inicia-se o processo de avaliação das propostas e análise das documentações.
A demora já virou rotina. Em 2009, o orçamento previsto para o Feipe foi de R$ 2,356 milhões. Os recursos contemplaram seis programas: Esporte de Rendimento da Juventude (R$ 865 mil); Esporte de Alto Rendimento (R$ 800 mil); Apoio às Ligas Londrinenses (R$ 245 mil); Programa Esportivo para Pessoas com Deficiência (R$ 100 mil); Padrão (R$ 290 mil); e Atividades Esportivas Alternativas (R$ 56 mil).
O edital do Feipe deste ano foi divulgado apenas no dia 19 de dezembro de 2008 e os envelopes foram abertos em 20 de janeiro de 2009. Após as análises, muitos projetos foram reprovados por falta de documentos e o processo foi se alongando, retardando também os repasses.
Para 2010, o valor aumentou para R$ 2.860 milhões. Porém, foram criados dois outros programas: Atividades Esportivas Sociais e Apoio a Eventos Esportivos.
Com o Novo Basquete Brasil (NBB) em andamento, o time da Associação Desportiva Londrinense (ADL) é quem deve sofrer mais com a demora. Assim, o presidente do clube, Paulo Chanan, tratou de avisar seus jogadores de que os atrasos salariais continuarão no início de 2009, já que os repasses do Feipe devem começar somente em março.
''Esse atraso atrapalha para todos (os beneficiados pelo projeto). Como nosso campeonato não para, preciso desse dinheiro para pagar os jogadores. Vou ter que me virar com outros patrocinadores. Minha preocupação agora é se vamos ganhar e quando começará a ser pago'', afirmou o dirigente, admitindo a possibilidade de seu projeto ser preterido em função de alguma outra equipe ou então por não atender às exigências.
Para Chanan, o ideal era que o edital fosse publicado em novembro, para que que em janeiro a planilha de pagamentos já estivesse pronta e as retiradas da verba não sofresse interrupção.
A opinião é compartida por outros beneficiados. O futsal feminino tem seu primeiro compromisso apenas no fim de março, quando começa a Taça Brasil. A direção da equipe aprovou o alongamento do prazo, mas também preferia iniciar o ano já ciente do que terá para gastar. ''Nosso projeto sempre foi de 11 meses, então não vai atrapalhar o planejamento, mas o ideal era que em novembro já fosse publicado o edital para em janeiro já contratarmos as atletas e montar o time'', afirmou a supervisora do time, Renata Albino, que pediu compreensão das jogadoras para com a demora nas renovações contratuais.

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