São Paulo, 18 (AE) - O Vasco já estava classificado, e a perda dos pontos do jogo contra o Fluminense não afetou em nada a situação do time carioca no Torneio Rio-São Paulo. Mesmo assim
o presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF), Eduardo José Farah, acha que a decisão dos dirigentes dos clubes participantes da competição "foi uma vitória do futebol". Farah acredita ter vencido a queda-de-braço com o presidente da Federação do Estado do Rio de Janeiro, Eduardo Viana, e com o homem-forte do Vasco, Eurico Miranda.
O dirigente máximo do futebol paulista conseguiu o apoio de todos os presidentes dos clubes do estados envolvidos no torneio (inclusive Alberto Dualib, do Corinthians, e Mustaphá Contursi, do Palmeiras, equipes que já estão eliminadas da competição). Até o presidente da Portuguesa, Amílcar Casado, compareceu à reunião, apesar do seu clube não participar do torneio. "Quisemos dar uma demonstração de força do futebol paulista", disse Casado.
Farah adotou uma postura de líder para tratar do assunto. Destacou que o documento expedido por Eduardo Viana determinando a mudança do local do clássico entre Vasco e Fluminense não tinha valor legal. Lembrou que o torneio não é palco para brincadeira de pessoas físicas, como os dirigentes do Vasco e da Federação Carioca. "É preciso respeitar o regulamento de uma competição que reúne uma média de público de 19 mil pessoas", afirmou o presidente da FPF. O dirigente disse que se arrependia de não ter ido à frente na idéia de tirar os clubes paulistas do Campeonato Brasileiro em 1997, quando Fluminense e Bragantino "viraram a mesa" e, mesmo rebaixados, participaram do campeonato da Série A. "Futebol não é brincadeira", repetiu Farah nas diversas entrevistas concedidas após a reunião de hoje à tarde na sede da FPF, no centro de São Paulo. "O dirigente de Federação que pensar como antigamente, quando se ajeitava tudo de acordo com os interesses de cada um, deve ser trocado", destacou.
Há 11 anos à frente da FPF, Farah tornou-se unanimidade entre os dirigentes dos clubes paulistas ao tornar o campeonato estadual altamente lucrativo para estes através do sistema de cotas garantidas para cada partida, independente do público presente no estádio. Este ano, o Campeonato Paulista vai pagar R$ 600 mil para os grandes clubes em cada mando de jogo.
Farah destacou que o mais importante na reunião de hoje foi a supremacia do regulamento da competição. Os presidentes de São Paulo e Fluminense cogitaram a votação pela eliminação do Vasco, mas Farah preferiu usar o bom senso. "O regulamento não prevê este tipo de punição, não há subsídio legal para justificar a saída do Vasco, por isso não poderíamos atrolepar o que está escrito." No entanto, o dirigente acredita ter ficado claro que, na próxima que o Vasco aprontar, o clube será punido severamente.
"Fizemos um acordo de cavalheiro definindo que se o Vasco for reincidente em não cumprir o regulamento, poderá ser eliminado deste e do próximo Torneio Rio-São Paulo." Farah acredita ter forças para que a lei seja cumprida à risca.

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