Não era bem deste jeito que eu gostaria de começar esta coluna que vou escrever duas vezes por semana aqui na Folha. É, no entanto, um assunto que precisa ser debatido com seriedade até para que não voltem a acontecer exageros como o que ocorreu no domingo no Estádio do Café, em Londrina.
Afinal, a Polícia Militar vai ao estádio para proteger os torcedores, evitar brigas e confusões ou para provocá-las, impondo medo e exorbitando no uso da violência?
No gramado jogavam Londrina e Iraty. Uma bola foi chutada para a arquibancada. Um garoto pegou-a e desapareceu com ela. A PM ficou em estado de alerta. Minutos depois outra bola foi chutada para a arquibancada. Um torcedor, que por sinal vai sempre ao estádio acompanhado do filho, segurou-a, fez uma graça e iniciou sua participação num episódio lamentável. Policiais que estavam por perto foram para cima do torcedor como se estivessem numa missão de vida ou morte. Não era preciso tanto. A torcida, que até então apenas acompanhava a ação com curiosidade, revoltou-se com a violência empregada já que o rapaz havia devolvido a bola. Ela começou a gritar pressionando para que o rapaz fosse solto. Foi aí que chegou o reforço da Tropa de Choque. Houve empurra-empurra, e o rapaz foi agredido mesmo depois de ter sido dominado. Precisava de tanto barulho por causa de uma bola? É discutível. A cena foi tão grotesca que muitos torcedores disseram que nunca mais vão aparecer no estádio. Prejuízo para o torcedor, para o futebol e para a imagem da PM que, por causa de alguns, não consegue se livrar da mística de violência que a persegue.
- O ex-deputado Onaireves Rolim de Moura, presidente da Federação Paranaense de Futebol, depõe amanhã na CPI da Nike, na Câmara Federal. Se ele abrir o bico o depoimento será dos mais interessantes. Moura faz parte daquele grupo de cartolas que pouco ou nada fazem de produtivo para o futebol. O seu mandato de deputado foi cassado pela Câmara sob a acusação de comprar deputados para que ingressassem no partido ao qual estava filiado e esteve preso em Curitiba por problemas com o Fisco só para citar um pedaço de sua ficha. Deve ter muito o que contar.
- A demissão de Paulo César Carpegiani do Atlético pegou todos de surpresa. Será que foi por excesso de vitórias?
- Ridícula a imagem dos jogadores reservas da Portuguesa Londrinense e do Grêmio Maringá tomando chuva domingo no VGD porque não havia cobertura nos bancos de reservas. De quem é a culpa: dos anfitriões ou do administrador do Estádio? Espero que ninguém pegue uma pneumonia.
- O ex-zagueiro Marinho, ídolo do Londrina, campeão mundial pelo Flamengo, pode voltar à ativa. Está negociando para ser o treinador e garoto propaganda do Atlético Clube Londrinense.
- Como a diferença técnica entre Coritiba e Cruzeiro é gritante, o Coxa terá uma boa chance de provar, amanhã no Mineirão, que futebol é uma caixinha de surpresas.
Sugestões para a coluna: [email protected]

mockup