Ilsinho quase deixou o futebol para ser motoboy
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domingo, 17 de dezembro de 2006
Gabriel Navajas<br>Agência Estado 
São Paulo - Por pouco, o Palmeiras não fez o lateral-direito Ilsinho, do São Paulo, trocar a carreira no futebol pela de motoboy. Foi durante o período em que o jogador ainda era dos juniores e defendia o clube de Palestra Itália na Academia I. Era mal tratado e pensou em chutar tudo para o alto. Graças aos conselhos dos pais, Ilson e dona Terezinha, o jogador seguiu engolindo alguns ''sapos'' até se profissionalizar. Hoje, aos 21 anos, é uma das principais revelações do futebol brasileiro.
''Quando estava mal lá no Palmeiras B, nos juniores, falei para o meu pai, que tinha uma empresa pequena de motos com meu cunhado, que ia trabalhar com ele. Compraria uma moto em 12 vezes e me tornaria entregador. Além de os motoqueiros ganharem mais que eu naquela época, trabalhavam menos e não passavam a raiva que eu passava no futebol'', disse Ilsinho.
A vontade de abrir mão da promissora carreira nasceu por conta de muita mágoa no Palmeiras. ''Eu não ia para jogos, para campeonatos... Diziam que eu só gostava de atacar e que não gostava de defender e marcar, que minha parte física era fraca... Meu pai falou para eu não desistir. Minha mãe também não deixou. Mas eu disse que trabalharia de manhã como motoboy e à noite eu jogaria futebol de salão'', comentou.
Ilsinho sempre agradecerá aos pais por tê-lo convencido a continuar no futebol. ''Se estou aqui hoje, campeão brasileiro, devo muito a eles. São meus ídolos, meus exemplos, fundamentais na minha vida. Nas horas ruins, eles nunca deixaram a peteca cair'', agradece.
Mas não é apenas aos pais que o jogador deve. Dois técnicos foram muito importantes para que Ilsinho crescesse na carreira: Marcelo Vilar e Muricy Ramalho. ''O Marcelo (Vilar) me subiu para o profissional e me colocou para jogar. Disse que minha oportunidade era aquela. Se não tivesse me subido, estaria no B até hoje, ou sei lá onde. Devo muito a ele e também a todos no São Paulo, em grande parte ao Muricy. Foi o treinador que me fez aprender. Colocou na minha cabeça, aos poucos, o que eu tinha de fazer em campo.''
Apesar de viver excelente fase, o começo de ano de Ilsinho não foi dos melhores. ''A única certeza que eu tinha, em fevereiro, era que teria férias. Não tinha mais esperanças de jogar no futebol profissional do Palmeiras. Meu contrato acabou e eu estava quase certo com a Espanha (Villarreal). Dormi indo para a Espanha e acordei com um telefonema do São Paulo. Até pensei que fosse trote. Meu pai veio aqui e acertou tudo. Graças a Deus o professor Muricy me deu oportunidade e fui campeão jogando'', comemora. ''Tinha o sonho de jogar no São Paulo. Passava na frente do CT e pensava em um dia jogar aqui.''
O contrato com o São Paulo vai até 2010. ''Quero ficar por aqui'', avisa Ilsinho. Mas ele sonha um dia jogar em uma grande equipe da Europa. ''Por curiosidade, por novos desafios'', explica.
No final do Campeonato Brasileiro, Ilsinho deu declarações que incomodaram palmeirenses. Disse que trocara o Titanic afundando pelo São Paulo. Arrependeu-se. ''Tomei uma dura do meu pai. Se magoei alguém, peço desculpas. Sempre tem torcedor que tromba no shopping, que pega no trânsito. Mas se eu der trela é pior. Sempre digo o seguinte quando encontro um palmeirense: ''Terminou de falar, amigo? Então beleza, continue o seu caminho e eu sigo o meu.''


