A corredora maringaense Ilda dos Santos acaba de trazer para casa mais uma medalha e um troféu. Espalhados pela pequena sala e quarto, se misturam com retratos de família, enfeites, flores e um calendário. Ao ver tantas lembranças de vitórias, se imagina o extenso currículo atlético dessa pequena e franzina mulher.
Ex-cortadora de cana-de-açúcar decidiu largar a lavoura para dedicar-se ao atletismo em 1998. Tudo começou com a influência do seu irmão Edmilson Rodrigues dos Santos, 40, que também é atleta e atual técnico de Ilda.
Vindos de uma grande família (13 irmãos, sendo 4 pares de gêmeos), Edmilson seguia de Maringá para visitar a família em Astorga e levava sua irmã para fazer companhia em seus treinos na pista do ginásio. Um dia fez um desfio a ela: ''Quero ver se consegue dar cinco voltas na pista! Ela começou a correr e não parou mais, deu mais de 20 voltas!'', conta seu irmão rindo.
Como o salário na lavoura era pouco, resolveu aumentar o orçamento da família com as corridas nos finais de semana. ''No começo eu não gostava muito de correr não, mas o dinheiro ajudava'', fala ela, entre risos. Ela acrescenta que a mãe, Bernadete, ficava dizendo que correr demais fazia mal.
Mas com o tempo, o amor e o carinho pelo atletismo foram crescendo, juntamente com a paixão pela maratona. ''É o meu desafio. Tiro forças do fundo de mim para terminar a corrida, não sinto dor, cansaço ou calor. O que me move é a paixão pela prova e por minha filha. Só penso em passar a linha de chegada. Levo no braço a prova.''
Hoje, aos 37 anos, ela não possui patrocínio. Conta apenas com o apoio da Associação dos Corredores de Maringá e recebe R$ 270, por mês, para se manter treinando. ''Não é todo mês que esse dinheiro vem. Às vezes fico até dois meses sem receber'', diz. Também recebe R$ 50 de um colega de seu irmão que possui uma pizzaria no bairro. ''É pouco mas é dado com muito carinho'', diz Adilson, proprietário da Pizzaria Splendor.
Fim do sonho
A falta de patrocínio acabou com o sonho de Ilda, que iria participar da 36 Maratona de Berlim, em setembro deste ano. A prova é a maior e mais famosa para os atletas dessa modalidade. Na edição de 2008, a prova teve 40.827 inscritos (sendo 107 países participantes).
Segundo o seu irmão e técnico, tudo no país é voltado para o futebol. ''Se gasta milhões de reais com jogadores e clubes, enquanto os demais esportes ficam esperando uma chance. Medalha não segura patrocinador'', lamenta Edmilson.

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