São Paulo - Vágner Love e Zinho ocupam um lugar mágico no palco das glórias do Palmeiras. O primeiro foi uma maiores revelações do clube nos últimos anos; o segundo ganhou quase tudo o que podia pelo clube na década de ouro (1990). Neste domingo, os dois podem despir o manto de heróis e vestir o de carrascos, decretando o rebaixamento palmeirense para a Série B - uma derrota diante do Flamengo derruba o time paulista independentemente dos outros jogos.
Mas nenhum dos dois está à vontade com o novo papel. ''Não posso negar que é um momento triste ver o time nessa situação. Foi lá que eu apareci para o futebol e tenho ótimas lembranças. Mas sou profissional e tenho de defender as cores do Flamengo. O futebol é assim'', disse o atacante rubro-negro.
Não foi à toa que Vágner Love usou o termo ''nasci''. Foi em 2003. Depois de ter sido vice-campeão da Copa São Paulo de Juniores, o atacante subiu para o profissional, mas teve de enfrentar o horror da segunda divisão nacional na equipe de Jair Picerni. Conseguiu transformar o limão azedo da Série B em uma refrescante limonada. Foi artilheiro da competição, com 19 gols, e peça-chave para o retorno da equipe à elite do futebol brasileiro.
Cinco anos depois, após altos e baixos no CSKA Moscou, o atacante voltou por empréstimo, mas não foi a mesma coisa. Pelas palavras do jogador, o amor permanece intacto.
A culpa parece mais pesada para Zinho, hoje diretor de futebol do Flamengo. ''Se eu pudesse, não estaria envolvido nesse jogo. Tenho identificação, carinho e gratidão por esse clube. Palmeiras e Flamengo me projetaram para o futebol'', disse o dirigente em entrevista à rádio Jovem Pan.
Zinho foi fundamental em um momento da história que está um passo atrás da trajetória de Vágner Love. Foi de seus pés que o tabu de títulos que perdurava 16 anos começou a ruir, ao marcar o primeiro gol da goleada de 4 a 0 sobre o Corinthians na final do Campeonato Paulista, em 1993.

mockup