Ídolos relembram velhos clássicos
A emoção de participar de um clássico Atletiba fica para sempre gravada na memória dos jogadores. A Folha ouviu dois personagens que participaram da história do maior choque do futebol paranaense. O atleticano Nilson Borges, 60 anos, e o coritibano Aladim Luciano, 53 anos, relembram fatos marcantes ocorridos nos clássicos durante as décadas de 60 e 70.
Nilson Borges foi um dos maiores craques do futebol paranaense. Entre 1968 e 1974 ele vestiu as cores do Atlético ao lado de um dos maiores ídolos do clube, o meia Sicupira. Reconhecido por sempre vestir a camisa onze e pelo canhão que disparava com a perna esquerda, Nílson tem muitas boas e más recordações do clássico.
A pior aconteceu em 68, no campo do Ferroviário (hoje do Paraná Clube), o Estádio Durival de Britto e Silva, em Curitiba. Nós dependíamos da vitória e o Coritiba do empate. Fizemos um gol no primeiro tempo, parece-me que foi o Zé Roberto, e no final do jogo, aos 45 minutos, Paulo Vecchio empatou. Perdemos o jogo e o campeonato no último minuto. Nem tivemos tempo de repor a bola em jogo. Me marcou muito. Foi uma choradeira e tanto, recorda o pontaáesquerda.
Recordação boa é de um Atletiba de 71 ou 72, que nós estávamos perdendo de 2 a 0, e viramos o jogo e ganhamos de 4 a 3. Tive a felicidade de fazer três gols e um gol deles legítimo foi anulado pelo árbitro Eraldo Palmerini. E poderia ter feito mais um se não tivesse perdido um pênalti. A bola bateu na trave, contou rindo. O amor pelo clube é tão grande que Nílson, após pendurar a chuteira, continuou no Atlético, onde está há 32 anos.
O jogo estava próximo do final, aos 38 minutos do segundo tempo o placar ainda teimava em ficar no 0 a 0, até que o goleiro Gainete, do Atlético, repôs uma bola de forma errada e que foi parar no peito do ponta-esquerda Aladim, do Coritiba, recentemente contratado do Corinthians e que fazia sua estréia em Atletibas.
O ponteiro dominou a bola e bateu para o gol diante do enorme público que lotava o Estádio Belfort Duarte (atual Couto Pereira) em 1973. A partir dali Aladim começou uma fase de amor com o alviverde que somente seria interrompida em 1977 com a sua transferência para o rival Atlético, onde ficou apenas um ano.
Aladim voltaria a jogar mais quatro anos no coxa-branca até se despedir do futebol em 1985. Foi uma boa fase pela qual passei e nos clássicos era uma sensação ótima, pois mexia com a cidade durante toda a semana, afirmou Aladim.
Para Aladim, o lance descrito acima foi um dos mais emocionantes de sua carreira. Hoje ele acredita que o futebol está um pouco amarrado. Os treinadores têm medo de perder o emprego e colocam seus times em campo preocupados em não tomar gols, disse.
Aladim foi o segundo jogador com mais partidas disputadas pelo Coritiba. No total ele disputou 443 jogos, perdendo apenas para Jairo, com 456 partidas. Nesse período ele marcou 66 gols e considera o técnico Tim, morto na década de 80, como um dos principais mestres que teve no esporte. (Julio Cesar Lima e Fernando Tupan)





