Ídolos criticam relação com torcedores
Rio - A frieza do torcedor com a seleção brasileira, medida no público da última quarta-feira no Engenhão, põe em xeque a geração comandada por Dunga. No empate por 0 a 0 com a Bolívia, apenas 31 mil espectadores deram o ar da graça - e assim mesmo porque na manhã do jogo houve farta distribuição de ingressos nas cercanias do estádio.
Craques que marcaram época vestindo a camisa amarela falaram à Agência Estado sobre essa crise de identidade da equipe pentacampeã mundial com o povo. Entre os motivos estão a falta de comprometimento, atitude e concentração dos badalados e milionários atletas.
Inimigo político declarado de Ricardo Teixeira, presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Sócrates perdeu as esperanças na ética e no comprometimento da atual geração. Para o ídolo da Fiel corintiana, o futebol virou um balcão de negócios. Não existe mais amor à camisa, à nação, à bandeira... O esquema é vender jogadores. Se o atleta entra num esquema no qual só o dinheiro interessa, que comprometimento esse cara vai ter? Ele entra para ganhar dinheiro também.
Com a experiência de quem atuou numa época áurea do futebol brasileiro, Jairzinho, o Furacão da Copa de 70, é taxativo: falta patriotismo aos milionários jogadores da equipe comandada por Dunga. Eles não vivem o que o Brasil vive. Boa parte do povo é sofrido, passa fome, mas os atletas não lidam com essa realidade.
Maior ídolo do Flamengo, Zico crê que o problema está na concentração. Sob pressão, os jogadores acabam rendendo mais. Contra o Chile, eles entraram mais ligados porque era um jogo de risco. Aí veio a Bolívia, acharam que seria fácil e deu no que deu. Se no lugar da Bolívia fosse o Paraguai, acredito que o comportamento seria diferente. O Brasil entraria mais focado.





