Ídolo prevê crise para time que perder dérbi
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sábado, 15 de fevereiro de 2014
Thiago Mossini<br>Reportagem Local 
O estádio do Café será palco neste domingo do terceiro capítulo de um duelo que tenta reacender uma rivalidade histórica no futebol paranaense, que envolve as cidades de Londrina e Maringá. Tubarão e Maringá FC se enfrentam pela sexta rodada do Estadual. É o primeiro confronto entre as duas equipes após a mudança de nome dos maringaenses. Enquanto ainda era Grêmio Metropolitano, foram dois jogos com uma vitória para cada lado, ambas pela Divisão de Acesso de 2011. Agora, o duelo pode valer a liderança no torneio e a consequente paz para a sequência da competição. Na visão de um ex-jogador que fez história nas duas equipes, quem sair derrotado verá aumentar a pressão e as cobranças. "Depois da derrota (para o Prudentópolis), já estão criticando o time aqui (em Maringá). Em Londrina, também vi que a pressão está grande. Clima tenso para os dois. Quem perder vai se complicar", apontou Itamar Bellasalma, de 63 anos.
O ex-atacante orgulha-se de ser o único jogador a ser campeão paranaense pelos dois rivais. Em 1977, foi artilheiro e campeão com o Grêmio, em cima do Coritiba. Em 81, já no Tubarão, conquistou mais um título e justamente sobre o ex-clube. "Joguei no Palmeiras, joguei no São Paulo, mas guardo Londrina e Maringá no meu coração. É muito forte", revelou o ídolo das duas torcidas.
Apesar de morar em Maringá ainda, Bellasalma não tem acompanhado muito o time. Deixou de trabalhar como treinador há quatro anos e há um não é mais comentarista de um canal de tevê maringaense, onde atuou de 2010 a 2013. Mesmo assim, sabe que o jogo é equilibrado e aposta no empate. "Acho que vai ser 0 a 0, até pela pressão dos dois times. Ambos precisam ganhar e é jogo para empate", afirmou.
O duelo entre Londrina e Grêmio Maringá ficou conhecido como "Clássico do Café" porque teve início na década de 60, quando o auge da economia das duas cidades era justamente o cultivo de café.
Bellasalma vivenciou de perto o auge dessa paixão e ódio das duas torcidas. E lembra que hoje não é mais como antes. "A rivalidade existe, mas antigamente, quando se perdia um Clássico de Café, você ficava uma semana sem sair de casa. Hoje é diferente. Perde-se o jogo e o cara sai para jantar, não interessa se perdeu ou ganhou", lamentou, lembrando que são poucos os jogadores que criam vínculo longo com o clube no futebol atual.
A decadência do Grêmio Maringá, no entanto, prejudicou a manutenção daquele espírito de competição entre os dois times. Ficou apenas a competição entre cidades. "É uma pena. Por onde vou perguntam do Londrina. O LEC permaneceu e o Grêmio foi trocando os nomes e perdendo espaço", disse.
O ex-atacante aponta a decisão do Paranaense de 81 como o momento mais marcante nesta história que viveu de confrontos entre os times das duas cidades, quando o Londrina ganhou os dois jogos. Ao se transferir para o Tubarão, ele manteve a residência em Maringá, onde morava a família, que sofria com os torcedores mais fanáticos. "Quando fui para o LEC, permaneci morando aqui. Roubaram três carros na minha casa. Passavam lá e ofendiam minha filha, minha esposa, me chamavam de traidor", contou.
Entre os jogadores, porém, jogar esse duelo era motivo de orgulho e de receio do que significaria o resultado. "A emoção era muito grande, porque existia a rivalidade, mas existia o respeito. Você via dois times que mereciam muito respeito. Fiquei três anos aqui e dois no Londrina. A gente queria entrar num jogo desse e fazer o melhor que pudesse. Era o maior clássico do interior e ainda é, mas com um pouco menos de amplitude", relembrou. "Era estádio sempre cheio".


