São Paulo, 10 (AE) - Bruno Souza, de apenas 22 anos, trocou os ginásios vazios do Brasil pela condição de ídolo na Alemanha. Mais do que isso, o atleta, medalha de prata nos Jogos Pan-Americanos de Winnipeg este ano, se transformou em um dos 16 melhores jogadores de handebol do planeta, segundo eleição realizada anualmente pela Federação Internacional da modalidade. Bruno, agora, faz parte da "seleção do mundo".
"Foi uma surpresa", define. Até mesmo seu primeiro treinador em Niterói, sua terra natal, que conheceu Bruno aos 11 anos, telefonou para a Alemanha, sem acreditar muito na premiação. "É uma porta que está sendo aberta para os brasileiros", orgulha-se o atleta. Ele tem contrato com o Frisch Auf, de G”ppingen, cidade a 40 quilômetros ao sul de Stuttgart. Lá, ganha um bom salário, tem um apartamento confortável e uma Mercedes na garagem.
"O handebol, na Alemanha, equivale à NBA nos Estados Unidos"
tenta comparar Bruno. É o segundo esporte no país, só perde para o futebol. O ginásio chega a receber 4 mil pessoas por partida. Há efeitos especiais e líderes de torcida. O Frisch Auf disputa uma liga de acesso igualmente forte. O clube é tradicional, tem 104 anos, a segunda maior torcida do país e fortes patrocinadores, como a Nike e a Mercedes.
"Aqui, vivo uma realidade diferente, sou ídolo, dou autógrafos na rua", conta. No Brasil, Bruno era apenas mais um praticante de um esporte que sofre para ganhar prestígio. A medalha de prata da seleção em Winnipeg e a ascensão mundial de Bruno mostram, porém, que o handebol brasileiro tem futuro.
"Esperávamos os resultados da atual renovação do esporte para daqui a uns quatro anos, mas a consagração está chegando bem antes", comenta. "A nova geração já está sendo coroada." Ele espera que o handebol trilhe o mesmo caminho de sucesso do vôlei nos anos 90. "Todo esporte precisa de ídolos para incentivar os mais jovens", resume. E Bruno quer ser um pouco responsável por isso.
O atleta, de 1,91 metro e 95 quilos, que começou no Niterói Rugby e passou pela Metodista e pelo Vasco, vai fazer dois jogos pela seleção do mundo. Dia 20, contra a Eslovênia e, dia 21, contra a Iugoslávia. "É a primeira vez que um brasileiro consegue isso."

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