São Paulo - Gustavo Kuerten, o ''Manezinho da Ilha'', como são chamados os habitantes de Florianópolis, que recebeu colonização da região portuguesa dos Açores, chega a Rhode Island, onde fica o Hall da Fama do Tênis. Lá, na cidade de Newport, é que foi realizado o primeiro campeonato nacional norte-americano na grama, em 1881 - aquela competição é considerada o embrião do US Open.
Nas paredes do museu já há uma foto de Guga com sua extravagante camisa amarela e azul da Diadora, com a qual surpreendeu o mundo ao conquistar o título de Roland Garros em 1997. Agora, Gustavo Kuerten prepara-se, aos 35 anos de idade, para a cerimônia de nomeação, em julho, quando terá o seu ingresso oficializado.
Ontem, com sua habitual descontração, que contrasta com a solene instituição, Guga falou sobre o significado dessa conquista. ''Talvez o meu maior êxito em toda a minha carreira tenha sido conectar o meu povo com o tênis, trazê-lo para uma esfera mais popular, ao ponto de virar tema de conversas no açougue, na padaria, no supermercado. Pude trazer aquele mito intocável do tenista para o povo. O tênis ficou acessível e gostoso. Essa contribuição me dá uma satisfação muito grande''.
Sem conseguir conter a emoção ao ver imagens de sua carreira, principalmente o anúncio oficial da despedida das quadras, em 2008, Guga agradeceu ao pai, Aldo Kuerten, que foi o grande incentivador no início de sua carreira. Jogador amador e juiz de cadeira nas horas vagas, Aldo morreu quando Guga tinha apenas oito anos de idade.
O tricampeão de Roland Garros (1997, 2000 e 2001) fez questão também de dizer que não está afastado da modalidade, pelo contrário. ''Eu vivo o tênis e o tênis vive em mim'', afirmou, depois de revelar projetos para trazer o ATP Finals (torneio que reúne os oito melhores do mundo) para o Brasil. ''São Paulo e Rio estão interessados. Estou indo para Miami (sede da ATP, a Associação dos Tenistas Profissionais) para saber o que é preciso para viabilizar os planos''.

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