Ideias que ficam só no projeto
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sexta-feira, 23 de março de 2018
Lucio Flávio Cruz<br>Reportagem Local 

O esporte de Londrina sempre foi carente de grandes projetos. Sejam eles da iniciativa privada, do poder público ou em parceria entre ambos. A incompetência é uma marca registrada também quando se fala em manutenção e melhoria dos locais já existentes.
Porém, de promessas e delírios para a construção de obras faraônicas a cidade está cheia. Levantamento da FOLHA mostra alguns dos projetos esportivos anunciados e apresentados com pompa, mas que nunca saíram do papel, como a Vila Olímpica, a transformação do VGD em uma arena, a iluminação do Autódromo Ayrton Senna, entre outros.
Placar eletrônico
Na semana que passou, a notícia que surgiu no meio esportivo londrinense é que finalmente o estádio do Café vai ganhar o tão sonhado placar eletrônico. Ou pelo menos o passo inicial para a instalação do equipamento será dado. O governo do Estado lança na quarta-feira (28) o edital de licitação para a aquisição do placar. O valor máximo estipulado é de R$ 276 mil.
A novela do placar eletrônico do Café se arrasta há vários anos e já passou por inúmeras administrações municipais. A cada jogo com repercussão nacional por aqui, a visão do placar manual e malcuidado envergonha os londrinenses.

Vila Olímpica
Em 2009, o então prefeito Barbosa Neto apresentou um projeto faraônico para a construção de uma Vila Olímpica, que passaria pela venda do VGD (Vitorino Gonçalves Dias), cujo recurso seria utilizado também para modernizar o estádio do Café.
A Vila Olímpica teria 150 mil metros quadrados de área construída e estaria orçada em R$ 20 milhões. O local abrigaria espaço para diversas modalidades (esportes aquáticos, ciclismo, tênis, futebol, vôlei, atletismo e outras), além de área administrativa, hotel, restaurante e estacionamento. O projeto de "primeiro mundo", no entanto, não tinha sequer local definido para ser erguido e logo foi esquecido em alguma gaveta do Centro Cívico.
Arena VGD
Estádio mais antigo da cidade, o VGD já foi alvo de alucinações de muitos dirigentes. Peter Silva, presidente do LEC em um dos momentos mais críticos da vida do clube, que ficou à beira de fechar as portas em 2009, anunciou que transformaria o estádio em uma moderna arena. Atualmente, o estádio não está apto a sequer receber jogos oficiais.
Novo estádio
Como a palavra do momento é arena multiuso, Felipe Prochet, presidente do LEC entre 2014 e 2016, chegou a anunciar um projeto para a construção de um novo estádio na cidade, que, além de jogos de futebol, abrigaria eventos culturais e shows. A ideia, apresentada em 2016, não prosperou.
CT do LEC
Falando em Londrina, o torcedor alviceleste alimenta há anos o sonho do clube ter o seu próprio CT (Centro de Treinamento). Apesar de ser uma necessidade para qualquer clube de futebol hoje em dia, o LEC tem dificuldades em tornar este sonho realidade, mesmo com a sua situação administrativa e financeira muito mais equilibrada desde a intervenção judicial iniciada há nove anos.
Desde o início da parceria com a SM Sports, em 2011, o Londrina tem um pré-projeto para erguer um CT para as categorias de base no distrito de São Luiz, zona sul, em um terreno que seria permutado com o município.
Iluminação do autódromo
Outro grande projeto prometido para o esporte de Londrina era a iluminação do Autódromo Internacional Ayrton Senna. A reforma seria encabeçada pela extinta Fórmula Truck, com apoio da administração municipal e estadual, através da Copel. Londrina seria a primeira cidade do País a receber uma prova noturna da categoria. Não só a iluminação não saiu do papel, como o autódromo até hoje não tem arquibancadas fixas para o público e carece de uma melhor estrutura na pista e nas áreas de boxes.
Novo estádio custaria R$ 1 bilhão
O vereador Felipe Prochet (PSD) informou que o projeto para a construção de uma arena multiuso em Londrina foi abandonado em razão da falta de interesse por parte da administração municipal. De acordo com Prochet, o investimento de um grupo privado giraria em torno de R$ 1 bilhão para a construção de um estádio com capacidade para 20.405 lugares. O local escolhido seria um terreno de 290 mil metros quadrados em frente ao Parque de Exposições Ney Braga, na região oeste da cidade. O empreendimento englobaria ainda um hotel, centro de convenções e estacionamento.
"Umas das exigências do empresário era que a nova arena fosse o único palco para receber eventos esportivos na cidade, com o compromisso do município de que em um tempo determinado tanto o VGD como o Café não fossem mais utilizados", explicou. "Apresentei o projeto no fim da gestão do (Alexandre) Kireeff e já com o Marcelo Belinati eleito. Como não houve resposta da prefeitura, o projeto não avançou."
Em relação ao projeto para a construção do CT da base do Londrina, o presidente do clube, Claudio Canuto, revelou que ainda aguarda uma posição da administração municipal em relação à proposta de permuta.
O LEC ainda possui uma parte do antigo terreno da sua sede campestre e propôs uma permuta com um lote do município de 363 mil metros quadrados localizado no distrito de São Luiz, na zona sul, à margem da PR-538. "Como já temos um prédio público (o LEC administra por comodato o VGD), não podemos receber um segundo imóvel por doação. Então, propomos esta permuta. Estamos aguardando um posicionamento da prefeitura", afirmou.
A administração municipal informou que a proposta está sendo analisada na Secretaria de Gestão Pública e um encaminhamento deve ser dado nos próximos dias.


