Novela que se arrasta há anos, substituição do placar do Café (ao fundo) por um eletrônico será licitada nos próximos dias
Novela que se arrasta há anos, substituição do placar do Café (ao fundo) por um eletrônico será licitada nos próximos dias | Foto: Gustavo Carneiro/09-03-2018



O esporte de Londrina sempre foi carente de grandes projetos. Sejam eles da iniciativa privada, do poder público ou em parceria entre ambos. A incompetência é uma marca registrada também quando se fala em manutenção e melhoria dos locais já existentes.
Porém, de promessas e delírios para a construção de obras faraônicas a cidade está cheia. Levantamento da FOLHA mostra alguns dos projetos esportivos anunciados e apresentados com pompa, mas que nunca saíram do papel, como a Vila Olímpica, a transformação do VGD em uma arena, a iluminação do Autódromo Ayrton Senna, entre outros.

Placar eletrônico
Na semana que passou, a notícia que surgiu no meio esportivo londrinense é que finalmente o estádio do Café vai ganhar o tão sonhado placar eletrônico. Ou pelo menos o passo inicial para a instalação do equipamento será dado. O governo do Estado lança na quarta-feira (28) o edital de licitação para a aquisição do placar. O valor máximo estipulado é de R$ 276 mil.

A novela do placar eletrônico do Café se arrasta há vários anos e já passou por inúmeras administrações municipais. A cada jogo com repercussão nacional por aqui, a visão do placar manual e malcuidado envergonha os londrinenses.

Vila Olímpica do ex-prefeito Barbosa Neto nunca foi além da prancheta
Vila Olímpica do ex-prefeito Barbosa Neto nunca foi além da prancheta | Foto: Arquivo Folha



Vila Olímpica
Em 2009, o então prefeito Barbosa Neto apresentou um projeto faraônico para a construção de uma Vila Olímpica, que passaria pela venda do VGD (Vitorino Gonçalves Dias), cujo recurso seria utilizado também para modernizar o estádio do Café.

A Vila Olímpica teria 150 mil metros quadrados de área construída e estaria orçada em R$ 20 milhões. O local abrigaria espaço para diversas modalidades (esportes aquáticos, ciclismo, tênis, futebol, vôlei, atletismo e outras), além de área administrativa, hotel, restaurante e estacionamento. O projeto de "primeiro mundo", no entanto, não tinha sequer local definido para ser erguido e logo foi esquecido em alguma gaveta do Centro Cívico.

Arena VGD
Estádio mais antigo da cidade, o VGD já foi alvo de alucinações de muitos dirigentes. Peter Silva, presidente do LEC em um dos momentos mais críticos da vida do clube, que ficou à beira de fechar as portas em 2009, anunciou que transformaria o estádio em uma moderna arena. Atualmente, o estádio não está apto a sequer receber jogos oficiais.

Novo estádio
Como a palavra do momento é arena multiuso, Felipe Prochet, presidente do LEC entre 2014 e 2016, chegou a anunciar um projeto para a construção de um novo estádio na cidade, que, além de jogos de futebol, abrigaria eventos culturais e shows. A ideia, apresentada em 2016, não prosperou.

CT do LEC
Falando em Londrina, o torcedor alviceleste alimenta há anos o sonho do clube ter o seu próprio CT (Centro de Treinamento). Apesar de ser uma necessidade para qualquer clube de futebol hoje em dia, o LEC tem dificuldades em tornar este sonho realidade, mesmo com a sua situação administrativa e financeira muito mais equilibrada desde a intervenção judicial iniciada há nove anos.

Desde o início da parceria com a SM Sports, em 2011, o Londrina tem um pré-projeto para erguer um CT para as categorias de base no distrito de São Luiz, zona sul, em um terreno que seria permutado com o município.

Iluminação do autódromo
Outro grande projeto prometido para o esporte de Londrina era a iluminação do Autódromo Internacional Ayrton Senna. A reforma seria encabeçada pela extinta Fórmula Truck, com apoio da administração municipal e estadual, através da Copel. Londrina seria a primeira cidade do País a receber uma prova noturna da categoria. Não só a iluminação não saiu do papel, como o autódromo até hoje não tem arquibancadas fixas para o público e carece de uma melhor estrutura na pista e nas áreas de boxes.

Novo estádio custaria R$ 1 bilhão

O vereador Felipe Prochet (PSD) informou que o projeto para a construção de uma arena multiuso em Londrina foi abandonado em razão da falta de interesse por parte da administração municipal. De acordo com Prochet, o investimento de um grupo privado giraria em torno de R$ 1 bilhão para a construção de um estádio com capacidade para 20.405 lugares. O local escolhido seria um terreno de 290 mil metros quadrados em frente ao Parque de Exposições Ney Braga, na região oeste da cidade. O empreendimento englobaria ainda um hotel, centro de convenções e estacionamento.

"Umas das exigências do empresário era que a nova arena fosse o único palco para receber eventos esportivos na cidade, com o compromisso do município de que em um tempo determinado tanto o VGD como o Café não fossem mais utilizados", explicou. "Apresentei o projeto no fim da gestão do (Alexandre) Kireeff e já com o Marcelo Belinati eleito. Como não houve resposta da prefeitura, o projeto não avançou."

Em relação ao projeto para a construção do CT da base do Londrina, o presidente do clube, Claudio Canuto, revelou que ainda aguarda uma posição da administração municipal em relação à proposta de permuta.

O LEC ainda possui uma parte do antigo terreno da sua sede campestre e propôs uma permuta com um lote do município de 363 mil metros quadrados localizado no distrito de São Luiz, na zona sul, à margem da PR-538. "Como já temos um prédio público (o LEC administra por comodato o VGD), não podemos receber um segundo imóvel por doação. Então, propomos esta permuta. Estamos aguardando um posicionamento da prefeitura", afirmou.

A administração municipal informou que a proposta está sendo analisada na Secretaria de Gestão Pública e um encaminhamento deve ser dado nos próximos dias.

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