Cinco vezes campeão das olimpíadas dos esportes radicais, os X-Games, o venezuelano Daniel Dhers, de 31 anos, é considerado um dos maiores nomes do BMX mundial. Mora nos Estados Unidos e suas manobras são conhecidas em todo planeta. Com o investimento de grandes patrocinadores, o piloto vive pelo esporte e atrai fãs por onde passa. Mas nem sempre foi assim. Até atingir este patamar, o hoje ídolo de muitos garotos teve que suar, e muito.
Nada foi fácil para o venezuelano de origem humilde. Ainda garoto deixou o seu país para morar na Argentina. Foram muitas dificuldades, horas treinando e sem comer, longe de casa, mas nem isso foi capaz de fazê-lo desistir. "Viajava uma hora e meia para chegar à pista. Eram 15 minutos no primeiro trem, depois pegava um ônibus, mais uma hora, e mais 15 minutos em outro trem. E, às vezes, chegava lá e chovia. Voltava para minha casa e no outro dia fazia tudo de novo. Ia ao meio-dia e voltava às onze da noite", recordou.
Para o multicampeão do BMX, as lições tiradas dessas histórias é que o fizeram chegar ao topo do mundo do esporte. "A motivação de ser melhor foi que na América do Sul a pista era muito longe e não tinha com quem andar. O inverno era muito frio e não tinha com quem andar. Era uma das coisas que me fazia pensar em andar cada vez mais, ficar o dia inteiro na bike e crescer", citou. "Sempre falo, se você quer, você consegue. Não pensava em dinheiro, pensava sempre na satisfação em andar de bike e acho que por isso as coisas deram certo. É uma paixão".
Ter insistido realmente fez a diferença no caminho do piloto. O BMX mudou tudo na vida de Dhers. Desde 2006, ele mora na Carolina do Norte, nos Estados Unidos, onde possui até um complexo esportivo para seus treinos - o Daniel Dhers Sports Complex. A sua história serve de incentivo para dezenas de garotos que sonham chegar onde está atualmente o pentacampeão do X-Games. "Só posso falar que se você crê em seus sonhos tem que seguir. Não é fácil, vai haver momentos em que vai pensar em desistir, passei por isso, mas tive muitos conselhos, muita gente me ajudou. A vida fica mais fácil quando a gente escolhe fazer o que ama", ensinou o atleta, que dedica parte do seu tempo nos EUA para ministrar clínicas para crianças.

NO BRASIL

As visitas ao Brasil estão sempre em seu roteiro. Mas não é à toa. Dhers é filho de pai brasileiro e morou um tempo em São Paulo, logo que ensaiava as primeiras pedaladas. Por aqui ficaram os amigos, que ele sempre faz questão de rever. Além, é claro, de outras coisas mais. "Acho que o mais legal é a qualidade das pessoas no Brasil, claro que as churrascarias são muito gostosas, mas o melhor é que o brasileiro é definitivamente uma pessoa "da hora" (sensacional)", brincou, em bom português.
Dessa vez, entre outras cidades, o piloto incluiu uma breve passagem por Londrina na semana passada, para atender a um pedido do amigo Paulo Saçaki, para o qual Dhers vê um futuro promissor. "Se conseguir viajar mais e andar mais pode crescer muito. Como ele, tem outros, o esporte tem evoluído bastante por aqui", apontou. "Para mim é um orgulho, um cara que vive no mundo lembrar de mim. É um exemplo para nós", contou Saçaki, de 27 anos.
Para fechar, não poderia faltar um "rolê", que aconteceu na pista do Centro Social Urbano (CSU), na Vila Portuguesa (centro). Não precisa nem falar que choveram fãs do venezuelano. O pequeno Davi Sodré, de 13 anos, se inspira em Dhers para se tornar um profissional de BMX. Claro que ele não ia perder a chance. "Foi 'da hora' demais conhecer ele. Conversamos um monte e o Daniel foi muito gente boa. Bom demais andar ao lado do cara, experiência única", frisou.

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