'Íbis do Paraná' sonha com Série B em 2009
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quarta-feira, 12 de setembro de 2007
Thiago Mossini<br> Reportagem Local 
''Vamos subir para a Série B no ano que vem''. Você deve estar imaginando que a promessa partiu de algum dirigente de uma das forças do futebol do interior do Paraná. Porém, por incrível que possa parecer ela foi dita pelo empresário Aurélio Almeida, o dono do Real Brasil, que prometeu vencer a Copa Paraná este ano, garantir vaga na Série C e consquistar o acesso à Segundona nacional em 2008.
O dirigente garante que não se trata de uma brincadeira, nem ilusão. Mesmo com a campanha medíocre que seu time faz na Copa Paraná, ele afirma que a partir de domingo, quando começa o segundo turno, a história do Real será bem diferente.
Almeida não está nem um pouco preocupado com os resultados obtidos até agora. O time perdeu todos os 11 jogos que disputou, sofreu 30 gols e fez apenas seis. Se for levada em consideração a Divisão de Acesso do Paranaense, da qual foi vice-campeão, a sequência aumenta para 12. A última vitória aconteceu no dia 24 de junho, quando fez 3 a 1 no Toledo, pela Segundona.
Com tantas derrotas ficou inevitável a comparação com o pernambucano Íbis, que se orgulho de ter o título de pior time do mundo, por ter passado três anos, dez meses e 26 dias sem vencer, entre 1980 e 84. Neste período, foram seis empates e 48 derrotas.
O pior ano foi 1981, quando apanhou 23 vezes, 11 delas no Pernambucano. ''Estou tranquilo quanto a essa história de Íbis. A imprensa fala isso porque não conhece realmente o meu projeto'', desdenha Almeida.
O projeto do qual se refere é uma espécie de escolinha de futebol para quem já não é mais criança. De acordo com informações do site oficial do Real, cada atleta/aluno paga R$ 8,8 mil pelo período de um ano de treinamento básico, o que dá R$ 24,11 por dia. No valor estão incluídas despesas de alojamento, alimentação, cuidados médicos e viagens com o clube. O atleta que não dispõe deste valor tem a opção de pagar a metade na entrada e dividir o restante em duas parcelas, no cheque ou boleto bancário. ''É assim em todo clube, mas ninguém divulga'', justifica.
O clube empresa também promete devolver o dinheiro corrigido, caso o ''aluno'' não passe de ano, ou seja, não vire jogador. ''Em caso de não condições físicas ou técnicas para profissionalização do atleta o dinheiro investido será devolvido integralmente no final do contrato'', diz o site oficial.
E o empresário terá que desembolsar uma boa quantia de dinheiro no final do ano com reprovações. Segundo Almeida, no primeiro turno da Copa Paraná foram utilizados apenas jogadores do projeto, o que justificaria a campanha vergonhosa. ''Nenhum clube no mundo dá oportunidade para jogadores amadores, que nunca jogaram. Eles estão realizando um sonho e não vamos nos preocupar se vão nos chamar de Íbis'', diz, justificando a má campanha, em tom indignado.
De acordo com o diretor de futebol, Carlos Caetano, o Carlão, apenas o zagueiro Tiago e o volante Rafael permaneceram no clube após a Divisão de Acesso. O que abriu espaço para os alunos. ''Deu para fazer as avaliações e vermos as qualidades de cada um. Devemos aproveitar uns seis'', disse Carlão com voz desanimada. ''O desempenho já demonstrou o resultado'', constatou, resignado.
De acordo com o diretor, a lista de reforços para o segundo turno da Copa Paraná tem 38 nomes. ''Na segunda volta, a nossa intenção é de sermos campeões e disputarmos a final com o Londrina (que venceu o primeiro turno). Já estamos montando um time para isso, que depois vai jogar no México (amistosos) e será a base do Paranaense'', adiantou Carlão. ''Seremos a grande surpresa. Usamos os meninos e quando quiséssemos subir colocaríamos os profissionais e é o que vai acontecer agora'', endossou Almeida.


