A ausência de Wesley abriu uma disputa por uma vaga na lateral direita da seleção brasileira para a estreia na Copa do Mundo, o principal candidato a ocupar o setor é o zagueiro Ibañez. Convocado por Carlo Ancelotti, o defensor do Al Ahli, da Arábia Saudita, pode repetir uma tendência observada em algumas das últimas seleções campeãs mundiais, que é a utilização de zagueiros adaptados nas laterais.

A Espanha campeã em 2010 contou com Sergio Ramos atuando pela direita. Quatro anos depois, a Alemanha utilizou Benedikt Höwedes, zagueiro de origem, na lateral esquerda durante a campanha do título. Em 2018, a França teve Benjamin Pavard e Lucas Hernández compondo um sistema defensivo em que ambos, zagueiros de origem, exerciam funções de laterais. Apenas a Argentina campeã de 2022 não recorreu a improvisações do tipo, embora tenha alternado seus titulares nas duas laterais ao longo da competição, entre Molina e Montiel, pela direita, e Acuña e Tagliafico, pela esquerda.

Ibañez vê a adaptação como algo cada vez mais comum no futebol moderno e se colocou à disposição para atuar onde for necessário. "Ele (Ancelotti) sabe muito, tem a experiência. Entende muito bem sobre isso. Mas o zagueiro jogar na lateral não é tão diferente do normal. É saber defender bem e sair bem com a bola, algo que sabemos fazer. Precisamos ter tranquilidade para jogar naquela posição", afirmou o defensor, ao comentar a possibilidade de atuar pelo setor.

O principal concorrente pela vaga é Danilo. Embora seja lateral de origem, o jogador atua há várias temporadas como zagueiro, função que desempenhou tanto na Juventus, da Itália, quanto atualmente no Flamengo. Segundo Ibañez, ainda não houve uma conversa específica sobre a disputa pela posição.

"Não houve conversa específica. Acredito que o mister é bem direto e reto naquilo que ele quer dentro do grupo, e isso é importante para a gente. Clarifica muito as coisas. Com o Danilo, o dia a dia é muito bom sempre. Ele esclarece dúvidas que temos no grupo, seja como lateral ou zagueiro, e isso ajuda muito", destacou.

Ibañez foi titular pelo lado esquerdo da defesa na vitória por 2 a 1 sobre o Egito e recebeu elogios pela atuação. A apresentação reforçou uma característica que o acompanha desde o início da carreira, que é a capacidade de atuar em diferentes posições da linha defensiva.

O jogador de 27 anos garante que não tem preferência por uma função específica. "Eu me sinto pronto se tiver que jogar como lateral e, se tiver que apoiar lá na frente também, mas minhas características são mais defensivas. Se precisar atacar, por que não?", afirmou ele, bem-humorado.

"Independentemente da posição que for, eu me sinto pronto. Seja de lateral ou de zagueiro, seja onde for, vou estar pronto para representar o meu país", completou.

Natural de Canela (RS) e filho de mãe uruguaia, Ibañez tinha a possibilidade de defender a seleção do país vizinho, mas nunca escondeu o desejo de atuar pelo Brasil. Mesmo após ficar fora da lista final para a Copa do Mundo de 2022, quando participou de boa parte do ciclo com o técnico Tite, o defensor manteve a confiança de que teria uma nova oportunidade.

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Carreira diferente

O caminho até a seleção foi pouco convencional. Revelado pelo PRS FC, clube focado nas categorias de base no Rio Grande do Sul, e chegou a disputar 13 partidas pela equipe principal antes de seguir para o Sergipe, em 2017. No mesmo ano, foi contratado pelo Fluminense para integrar a equipe sub-20.

A ascensão foi rápida. Em 2018, já fazia parte do elenco profissional tricolor e disputou 37 partidas na temporada. O desempenho chamou a atenção da Atalanta, da Itália, que o contratou. Após uma passagem inicial por empréstimo, transferiu-se para a Roma, onde se consolidou como um dos principais zagueiros do futebol italiano entre 2020 e 2023, acumulando mais de 150 jogos.

A ida para o Al Ahli, da Arábia Saudita, em 2023, surpreendeu parte do mercado europeu. No entanto, a mudança não impediu sua evolução. Pelo contrário. O defensor tornou-se um dos líderes da equipe saudita, ultrapassou a marca de 120 partidas pelo clube, somou 14 gols e cinco assistências e conquistou dois títulos da Liga dos Campeões da Ásia.

O próprio jogador admite que temeu perder espaço na seleção ao deixar a Europa. "Nos primeiros meses isso pesou, sim, por eu estar afastado da seleção, por não conhecer o país e a liga, por estar indo para algo ainda em crescimento. Mas, depois dos primeiros seis meses, entendi que lá era o lugar para eu estar, onde cresci muito. Lá aprendi a ter liderança. Não era um dos capitães da Roma e agora sou um dos líderes lá. Evoluí muito nisso também", avaliou.

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